O Chile registrou uma taxa de desemprego de 9,6% no trimestre móvel que compreende os meses de junho a agosto de 2026, representando o patamar mais elevado desde a metade de 2021. Este cenário resulta em quase um milhão de pessoas sem ocupação. A piora no mercado de trabalho ocorre em um momento de retração econômica no país, levando o governo a propor investimentos para incentivar novas contratações.

Dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) indicam que o indicador de desemprego aumentou 1 ponto percentual em comparação com o mesmo período de 2025. Enquanto a força de trabalho cresceu 0,3%, o número de pessoas empregadas diminuiu 0,9%. Essa combinação resultou em uma parcela maior da população economicamente ativa buscando emprego e não encontrando vagas. A taxa de desocupação superou os 10% em diversas regiões do Chile, alcançando 11,2% em uma delas, e na região metropolitana de Santiago, onde a capital está localizada, o índice foi de 9,8%.

Setores afetados e recessão técnica

A redução nas ocupações afetou principalmente os setores da indústria, comércio e as atividades de informação e comunicação. O enfraquecimento do emprego coincide com duas quedas consecutivas no Produto Interno Bruto (PIB). Conforme registros do Banco Central, a economia chilena recuou 0,3% no primeiro trimestre de 2026 e 0,2% no segundo, configurando uma recessão técnica.

A produção também demonstra perda de atividade, com o Índice de Produção Industrial registrando uma queda de 5,7% em agosto, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A mineração foi o segmento com a maior retração, de 11,7%, enquanto a indústria manufatureira apresentou uma queda de 2,6%. Apesar da diminuição do emprego no comércio, o setor manteve estabilidade em sua atividade. Em contrapartida, as atividades de eletricidade, gás e água tiveram um crescimento de 1%.

Plano de estímulo e orçamento

Diante desse cenário, o governo do presidente José Antonio Kast anunciou um programa de estímulo econômico, que combina investimentos públicos com subsídios para novas contratações. A iniciativa prevê um investimento de aproximadamente US$ 1,35 bilhão, com o objetivo de criar 100 mil empregos entre 2026 e 2027.

A geração de vagas também faz parte da proposta orçamentária para 2027, a primeira apresentada por Kast em seu mandato. O presidente anunciou um aumento de 1,5% no orçamento em relação ao ano anterior, priorizando segurança, infância, recuperação econômica e a manutenção de benefícios sociais. Para impulsionar a atividade econômica, o governo planeja utilizar obras públicas para aumentar a demanda por trabalhadores e movimentar as economias locais. O plano fiscal destina US$ 9,8 bilhões para 241 projetos extraordinários de obras públicas, com foco em conservação em diversas áreas do Chile, representando um aumento de 8% em relação a 2026. Estes projetos deverão priorizar a contratação de trabalhadores das comunidades onde as obras serão realizadas, com acompanhamento institucional para cada iniciativa.