A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) relatou ter sofrido ameaças e tentativas de intimidação após denunciar as conexões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com empreendimentos de mineração em Minas Gerais. A parlamentar também solicitou informações sobre o paradeiro de Nathana Lopes Figueiredo, que estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, no momento de sua prisão pela Polícia Federal (PF). As declarações foram feitas por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.
Bella Gonçalves informou que encaminhou dados à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), além de ter demandado respostas sobre as circunstâncias da morte de Mourão, que ocorreu enquanto ele estava sob custódia da PF. Conforme a deputada, as pressões se iniciaram há cerca de três anos, após a publicação de informações nas redes sociais que vinculavam Vorcaro à Taquaril Mineração (Tamisa), empresa envolvida em um projeto de exploração mineral na Serra do Curral.
Ameaças e relações com a mineração
A parlamentar detalhou que seu advogado passou a receber ligações frequentes, uma notificação extrajudicial foi entregue em seu gabinete e ela própria foi contatada para desistir das denúncias. “Esse tweet virou um inferno na minha vida, porque eu comecei a ser assediada para apagar esse post de tudo quanto é jeito. Mas eu não apaguei”, declarou Bella Gonçalves. Ela também levantou questionamentos sobre a situação de Nathana Lopes Figueiredo, que, segundo a deputada, estava no apartamento onde Mourão foi preso pela PF. Mourão era apontado em investigações como operador de Vorcaro e integrante de um grupo que, de acordo com a PF, realizava monitoramento, obtenção clandestina de informações e intimidação de adversários.
Relatos indicavam que Mourão teria tido acesso indevido a documentos sigilosos do Ministério Público Federal. Bella Gonçalves afirmou que Nathana tinha residência declarada em Dubai e deixou o Brasil após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A deputada disse ter solicitado informações à PF e ao próprio Supremo sobre o paradeiro da mulher, um eventual depoimento e o andamento das investigações relacionadas à morte de Mourão.
As denúncias apresentadas por Bella Gonçalves abrangem ainda a presença de interesses ligados ao Banco Master no setor de mineração mineiro. Até setembro de 2025, a Tamisa tinha como acionista majoritário um fundo associado ao Banco Master. A empresa é responsável por um projeto minerário na Serra do Curral, uma área de grande relevância ambiental e paisagística de Belo Horizonte. A deputada afirmou ter reunido informações sobre este e outros empreendimentos em uma representação enviada ao TCE-MG, buscando apurar possível favorecimento a empresas conectadas ao grupo de Vorcaro.
Citações e cobranças políticas
No vídeo, Bella Gonçalves mencionou o ex-governador Romeu Zema (Novo) e questionou medidas adotadas em sua gestão que, na avaliação da deputada, teriam beneficiado interesses relacionados ao Banco Master. Entre os pontos citados estão operações de crédito consignado oferecidas pelo banco a servidores estaduais e uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao diretório mineiro do Novo em 2022, ano da reeleição de Zema.
A deputada também retomou episódios envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Áudios já divulgados mostrariam o parlamentar solicitando ajuda a Vorcaro em uma demanda relacionada a um “ativo minerário” vinculado a Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor de Nikolas. Bella Gonçalves afirmou que o negócio se referia a uma área em Ouro Preto e à barragem Água Fria, e cobrou a investigação das relações entre o empreendimento, Vorcaro e integrantes do meio político. “Eu sigo fazendo o meu trabalho: denunciar, fiscalizar e cobrar que as instituições investiguem”, declarou.






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