Após o ministro Flávio Dino revogar uma censura imposta por André Mendonça a uma publicação do humorista Antonio Tabet, veículos de comunicação como G1, O Globo, Folha de S.Paulo e CNN Brasil removeram de seus sites as reportagens citadas na decisão. A medida judicial, proferida no domingo, 27 de setembro, referenciava cinco matérias que detalhavam atos de vilipêndio contra imagens de Nossa Senhora Aparecida e outras figuras religiosas.
As reportagens haviam sido publicadas entre outubro de 2024 e março de 2026 e tratavam de incidentes como a quebra de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em 200 pedaços, vandalismos em estátuas de Cristo e outros ataques a símbolos religiosos. Os links para essas notícias foram acessados pelo ministro na mesma data da decisão, mas, poucas horas depois, já não estavam disponíveis nos portais.
Remoção coordenada
Por volta das 13h, a decisão de Dino foi divulgada. Às 15h20, ao tentar acessar os links do G1, O Globo e Folha, as matérias já haviam sido removidas. A CNN Brasil manteve sua reportagem sobre uma mulher detida por quebrar uma imagem de Nossa Senhora em Pernambuco até as 15h24, mas às 16h, ela também não estava mais acessível.
Observadores sugerem que a remoção simultânea das notícias indica uma ação coordenada entre os grupos de mídia. Essa atitude levanta questionamentos sobre a possível intenção de ocultar conteúdos que poderiam ser desfavoráveis a campanhas políticas, especialmente em um contexto pré-eleitoral.
Implicações e questionamentos
A remoção das reportagens, conforme apontado por um jurista consultado, pode configurar crime eleitoral, desobediência e responsabilidade civil. A atuação da imprensa deve ser imparcial e garantir o acesso à informação, não aderir a projetos de poder específicos, o que comprometeria o processo de escolha consciente dos eleitores.
A situação ecoa as preocupações levantadas por Robert Dahl em seu livro “Sobre a Democracia”, onde ele questiona como os cidadãos podem formar suas opiniões se as fontes de informação são controladas ou dominadas por um único grupo. A retirada das matérias suscita dúvidas sobre a liberdade de imprensa e a possível formação de um conluio para influenciar o debate público em um período crucial para a democracia.






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