247 – As autoridades brasileiras já conseguiram rastrear diversos caminhos irregulares por onde trafegaram recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no exterior, em uma estrutura financeira que contava com a atuação central do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono do grupo Entre, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Conhecido pelo apelido de “Mineiro”, o empresário é apontado pelas investigações como um dos principais operadores de Vorcaro — e possivelmente o mais relevante deles. Sob a gestão de Mineiro estava a administração de empresas offshore que somavam um patrimônio total estimado em cerca de US$ 1 bilhão, valor que pertencia integralmente ao ex-banqueiro.

De acordo com as apurações das autoridades, foi identificada a participação direta de empresas pertencentes ao grupo Entre no envio de verbas do Banco Master para o exterior. O objetivo da operação era manter e custear estruturas financeiras voltadas aos interesses e benefícios de Vorcaro. A dinâmica consistia no envio dos recursos por Mineiro para a empresa Mosaic Financial, que posteriormente realizava a transferência do dinheiro para as contas offshore vinculadas ao ex-banqueiro.

A apuração constatou também que aproximadamente US$ 200 milhões retornaram ao Brasil desde o final do ano passado. O movimento financeiro de repatriamento coincide com o período em que Vorcaro teve sua primeira prisão decretada e o Banco Master passou pelo processo de liquidação.

Diante do quadro, Sebastião Monteiro, o liquidante responsável pelo Banco Master, protocolou um documento oficial no Tribunal de Falências da Flórida, nos Estados Unidos. Na petição, Monteiro lista a Mosaic Financial como integrante fundamental de uma rede offshore utilizada com a finalidade de lavar o dinheiro oriundo do banco e solicita o congelamento imediato de todos os ativos associados.

O pedido enviado à Justiça norte-americana exige ainda o rastreamento completo do percurso das verbas para identificar quais foram os destinatários finais dos repasses na ponta. A avaliação das investigações aponta como hipótese mais provável que os beneficiários fossem o próprio Vorcaro ou pessoas alvos de corrupção, uma vez que não é considerada plausível a utilização de montantes dessa magnitude apenas para a aquisição de ativos lícitos.

Nos últimos dias, Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, selou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Conforme as informações apuradas, também partiu de Mineiro o repasse de US$ 12 milhões efetuado por Vorcaro — a pedido de Flávio Bolsonaro — sob a justificativa de financiar a produção do filme “Dark Horse”. Os valores referentes a essa operação foram transferidos para um fundo gerido por um amigo de Eduardo Bolsonaro.