A estabilidade nos indicadores das pesquisas de intenção de voto pode ser decisiva para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final da disputa presidencial, mesmo diante de um cenário eleitoral altamente polarizado. Uma análise do Labop FESPSP (Laboratório de Pesquisas de Opinião e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) aponta que, apesar do empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula sustenta uma liderança numérica que ganha fôlego com a recente redução na avaliação negativa de seu governo.
A última rodada da pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira (24), mostra Lula com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o presidente aparece com 40% e o senador com 36%, no limite da margem de erro. Os resultados confirmam a consolidação de um quadro de estabilidade que remete à eleição de 2022, quando Lula venceu com uma margem de apenas 1,8% dos votos sobre Jair Bolsonaro (PL).
Cenário Eleitoral e Resiliência
Mesmo após semanas de intensa cobertura noticiosa sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), não houve alterações significativas nas intenções de voto dos principais candidatos. Segundo o cientista político Hilton Fernandes, professor do Labop FESPSP, o levantamento do Datafolha sinaliza uma vantagem estratégica para a campanha governista, evidenciando a resiliência da candidatura de Lula frente ao noticiário político recente. Fernandes ressalta que o atual presidente se mantém “consistentemente à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que empatados na margem de erro no cenário de segundo turno”.
Outro ponto destacado pelo especialista é a percepção da administração federal. Houve uma melhora discreta, com a queda de dois pontos percentuais na avaliação negativa do governo, que passou de 42% para 40%, enquanto a avaliação positiva permaneceu em 34%. Para o cientista político, em uma eleição onde cada ponto é crucial, a diminuição da rejeição é uma boa notícia para a campanha de Lula, indicando que a cristalização das intenções de voto faz com que os eleitores mantenham suas posições.
Metodologia e Eleitores Pendulares
A estabilidade observada na pesquisa Datafolha, que diverge de outros institutos, levanta o debate sobre as diferentes metodologias de amostragem. Hilton Fernandes explica que o desenho amostral do Datafolha, que realiza entrevistas presenciais, pode ser o fator para a manutenção da vantagem de Lula. A pesquisa foi realizada entre 22 e 24 de setembro, ouvindo 2.002 eleitores, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O coordenador do Labop FESPSP, Beto Vasques, observa que a diferença de dois pontos percentuais no segundo turno mantém o cenário de estabilidade das últimas quatro rodadas, sendo consistente com a média do ano. Com a rejeição de ambos os candidatos empatada em 45%, a definição do pleito deve se concentrar nos “eleitores pendulares”, cidadãos sem posição ideológica rígida e sensíveis ao noticiário. Além disso, a taxa de abstenção no dia da eleição também será um fator determinante.






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