247 – A produtora Go Up Entertainment afirmou nesta quarta-feira (2) que o aporte de US$ 1,6 milhão realizado em setembro de 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master,  para a produção do filme “Dark Horse” já constava da prestação de contas apresentada à Justiça de São Paulo em 10 de junho de 2026.cAs informações são do SBT News. 

A produtora se manifestou após a revista Piauí revelar que Vorcaro teria realizado mais pagamentos destinados ao longa-metragem – que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL) -do que havia sido informado inicialmente e que os repasses teriam se estendido por mais tempo do que o admitido pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

De acordo com a Piauí, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registra uma transferência de US$ 1,66 milhão, realizada em 16 de setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, fundo norte-americano responsável pela administração dos recursos destinados ao filme.

Com a inclusão da transferência, o investimento conhecido de Vorcaro na produção passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, valor equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação da época.

Go Up diz que aporte já constava da prestação de contas

Em nota, a Go Up sustentou que o aporte de setembro de 2025 não era uma informação omitida da Justiça e que o valor já integrava a prestação de contas apresentada no processo.

“A GO UP reitera que todos os recursos de capitalização recebidos para a produção do filme ‘The Dark Horse’ foram integralmente destinados à sua produção. A respectiva prestação de contas foi apresentada à Justiça de São Paulo em 10 de junho de 2026, na qual já está incluído o último aporte de capitalização, realizado em setembro de 2025, objeto de reportagens recentes”, afirmou a produtora.

A data da transferência ganhou relevância após uma entrevista concedida por Flávio Bolsonaro à GloboNews. Na ocasião, o senador havia afirmado que o último pagamento de Vorcaro destinado ao filme ocorrera em maio de 2025.

O relatório do Coaf citado pela Piauí, no entanto, registra a transferência de US$ 1,66 milhão em setembro daquele ano, cerca de quatro meses depois.

Processo não identifica nominalmente Vorcaro como investidor

Apesar de a Go Up afirmar que o aporte de setembro estava incluído na prestação de contas, os dados disponíveis no processo judicial não detalham individualmente a origem do dinheiro nem mencionam Daniel Vorcaro como investidor.

A prestação de contas registra custo total de US$ 13.393.081,29 para o filme “Dark Horse”. Desse montante, US$ 3.728.028,66 correspondem a despesas relacionadas à produção no Brasil, enquanto US$ 9.664.996,63 se referem aos custos nos Estados Unidos.

Em relação à origem do dinheiro, a documentação afirma que “a perícia não identificou entrada de caixa oriunda de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos”.

O processo acrescenta que “foram localizados contratos de investidores privados, com previsão de retorno financeiro de R$ 1,20 para cada R$ 1,00 investido”.

Go Up nega recebimento de possível oitavo aporte

A Piauí também apontou indícios de um possível oitavo repasse de US$ 1,6 milhão. A GoUp afirmou que foi informada sobre uma tentativa de realização de outro aporte em outubro de 2025, mas sustentou que a operação não chegou a ser concluída.

“A produtora foi informada na época de que teria ocorrido uma tentativa de realização de um último aporte de capitalização em outubro de 2025. Essa operação, entretanto, não foi processada e concluída no âmbito do sistema financeiro brasileiro e, consequentemente, os respectivos recursos não foram recebidos pelo fundo e disponibilizados à produção do filme”, declarou a empresa.

A produtora também afirmou que todos os recursos efetivamente recebidos para financiar o longa-metragem passaram pelos canais formais do sistema financeiro e estavam acompanhados da documentação correspondente.

“A GO UP Entertainment ressalta que todos os recursos de capitalização recebidos para a produção de ‘The Dark Horse’ transitaram pelos canais formais do sistema financeiro, acompanhados da documentação e dos instrumentos contratuais correspondentes, tendo sido submetidos aos procedimentos bancários e regulatórios aplicáveis às operações internacionais”, afirmou.