A trajetória de Lula entre 2003 e os anos seguintes, com reflexos em Brasília e em várias frentes internacionais, é usada para mostrar como o Brasil passou a enfrentar pressões sobre comércio, energia, dados e minerais críticos ao longo de duas décadas.

O ponto de partida dessa leitura está em 2005, quando a negociação da ALCA perdeu fôlego e o governo brasileiro ampliou parcerias com outras regiões, como América do Sul, África, China e Índia. A mudança foi interpretada como busca de mais autonomia na política externa.

da alca ao pré-sal

A disputa comercial com os Estados Unidos ganhou peso com o impasse da ALCA, que esbarrou em temas como agricultura, subsídios, serviços, investimentos, propriedade intelectual e compras governamentais. Ao mesmo tempo, o governo Lula manteve diálogo com Washington, sem romper a relação bilateral.

Nos anos seguintes, o pré-sal, a criação do BRIC e a negociação com o Irã ampliaram o alcance da política externa brasileira. Em 2013, os documentos de Edward Snowden revelaram espionagem da NSA contra o governo brasileiro e contra a Petrobras, o que levou Dilma Rousseff a levar o caso à ONU e cancelar uma visita aos Estados Unidos.

lava jato, economia e impacto político

No campo interno, a Lava Jato descobriu esquemas de corrupção, mas também adotou medidas que tiveram efeitos políticos e econômicos profundos. Entre 2014 e 2018, prisões preventivas prolongadas, delações e vazamentos marcaram a operação, que depois teve parte de seus atos questionados pelo Supremo Tribunal Federal.

O texto também destaca que houve cooperação entre autoridades brasileiras e americanas em investigações que envolveram empresas como Petrobras, Odebrecht, Braskem, Embraer e Rolls-Royce. Segundo o Dieese, os impactos econômicos associados ao ciclo chegaram a R$ 172,2 bilhões em investimentos que deixaram de ocorrer e a 4,4 milhões de ocupações não geradas.

Na avaliação apresentada, a disputa pela soberania deixou de ser apenas comercial e passou a envolver dados, infraestrutura, tecnologia, finanças e controle institucional. Nesse contexto, Lula aparece como personagem central de uma mudança na posição do Brasil no cenário internacional.