247 – A Índia sediará a 18ª Cúpula de Líderes do BRICS nos dias 12 e 13 de setembro, no Bharat Mandapam, em Nova Délhi, com a presença de líderes de países membros, parceiros e convidados. As informações foram divulgadas no Business Standard.
A Índia exerce a presidência do BRICS em 2026 sob o tema “Buiding for resilience, innovation, cooperation and sustainability”, voltado a resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade. O encontro ocorre no ano em que o bloco completa 20 anos desde sua criação.
A cúpula de dois dias terá como foco o fortalecimento da cooperação entre os países em áreas de interesse comum. Os líderes também devem discutir temas globais e regionais, em um momento de mudanças na economia internacional e de maior atuação política do Sul Global.
A presidência indiana organizou uma agenda ampla antes da reunião de chefes de Estado. Cerca de 350 encontros ocorreram em mais de 25 cidades da Índia como parte dos trabalhos preparatórios.
Antes da cúpula de líderes, Mumbai receberá a reunião final de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do BRICS, marcada para os dias 9 e 10 de setembro.
Participação de líderes
O primeiro-ministro Narendra Modi será o anfitrião do encontro. O presidente da China, Xi Jinping, é esperado na cúpula, embora Pequim ainda não tenha confirmado formalmente sua participação, segundo as informações disponíveis.
Caso Xi participe, será sua primeira visita à Índia desde a cúpula informal realizada com Modi em Mamallapuram, em 2019. Também há expectativa de uma reunião entre Modi e Xi Jinping à margem da cúpula do BRICS.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deve participar do encontro em Nova Délhi. A visita ocorreria menos de um ano depois de sua viagem anterior à Índia, em dezembro de 2025, para a cúpula bilateral anual entre os dois países.
A lista de líderes esperados também inclui o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.
Também devem comparecer o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, e o primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também pode participar da cúpula, mas ainda não houve anúncio formal.
Papel da Índia
A Índia assumiu em 1º de janeiro de 2026 sua quarta presidência do BRICS. O país já havia comandado o agrupamento em 2012, 2016 e 2021.
Durante sua presidência, Nova Délhi defende a ampliação e o reequilíbrio do comércio entre os integrantes do bloco, o fortalecimento do comércio de serviços, cadeias globais de valor mais resilientes e maior acesso de pequenas empresas a financiamento.
Para a Índia, o BRICS oferece espaço para diálogo com China e Rússia e, ao mesmo tempo, permite a manutenção de parcerias com Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália e outros países. O bloco também ajuda Nova Délhi a se apresentar como voz de economias emergentes e países em desenvolvimento.
O BRICS deixou de atuar apenas como um agrupamento econômico e passou a funcionar como plataforma de articulação política e econômica do Sul Global. Seus integrantes defendem maior participação de países emergentes nas decisões internacionais.
Reformas globais
Os membros do BRICS defendem mudanças em instituições como a ONU, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. O argumento central do bloco é que as estruturas atuais de governança não refletem de forma adequada o peso econômico das economias emergentes.
A Índia também apoia essas reformas e deve usar sua presidência para reforçar a defesa de maior representatividade nas instituições multilaterais.
A cúpula de 2026 ocorre em um momento de desafios para o bloco ampliado. O BRICS precisa conciliar interesses geopolíticos e econômicos distintos entre seus membros.
A presença de países como Irã e Emirados Árabes Unidos acrescenta novas camadas às discussões sobre a Ásia Ocidental. A Índia também mantém relações econômicas e estratégicas relevantes com os Estados Unidos e com países dessa região.
A segurança energética deve ocupar espaço na agenda. Para a Índia, instabilidades na Ásia Ocidental podem afetar rotas marítimas, preços do petróleo e a conta de importações, com reflexos sobre inflação e crescimento econômico.
O que é o BRICS
O BRICS surgiu em 2006 como agrupamento informal. A primeira cúpula formal ocorreu em 16 de junho de 2009.
O bloco passou por expansão e hoje reúne 11 países: Brasil, China, Egito, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul e Emirados Árabes Unidos.
O agrupamento funciona como espaço de consulta e cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento sobre temas globais e regionais. A ampliação formal entrou em vigor em 1º de janeiro de 2024, com a entrada de Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos como novos membros.






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