A visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping a Washington, que ocorreu na quinta-feira (24), culminou em um resultado concreto restrito à extensão da trégua comercial entre China e Estados Unidos por dois meses. Essa limitada conquista diplomática, somada à guerra com o Irã e à relutância de aliados em atender aos pedidos americanos, pressiona a agenda externa do presidente Donald Trump, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Apesar da intensa agenda diplomática de Trump, que incluiu um discurso na Assembleia Geral da ONU e a recepção a Xi na Casa Branca, poucos avanços foram obtidos em disputas internacionais cruciais. A reunião entre os líderes das duas maiores economias do mundo, marcada por divergências sobre comércio, inteligência artificial, Taiwan e Irã, teve como principal anúncio a prorrogação da trégua comercial, que estava programada para expirar em novembro, sem resolver as questões centrais da relação bilateral. Trump evitou expor publicamente as diferenças com Xi, embora a imprensa chinesa tenha relatado um pedido do líder chinês para que os EUA se opusessem à independência de Taiwan em conversas reservadas.

Guerra com o Irã desafia política externa americana

O conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, é considerado o mais difícil desafio externo do segundo mandato de Trump. Quase sete meses após seu início, a guerra impacta o fornecimento global de energia, atinge outros países da região e exerce pressão sobre os preços da gasolina nos Estados Unidos. Recentemente, seus efeitos também alcançaram o Iêmen e a rota marítima do Mar Vermelho. No discurso à ONU, Trump reiterou a ameaça de “aniquilar” o Irã caso um acordo não seja firmado, enquanto Teerã, apesar dos danos sofridos, mantém sua resistência e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

A guerra divide a base política de Trump e ocorre antes de uma eleição em que o Partido Republicano pode perder o controle do Congresso, aumentando a atenção dos governos sobre a capacidade do presidente de sustentar suas iniciativas externas. Um representante da Casa Branca, sob condição de anonimato, rejeitou a avaliação de que a política externa americana está paralisada, afirmando que Trump está focado em resultados e citou medidas para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.

Aliados resistem e negociações permanecem sem avanço

A resistência ao presidente americano se estende para além da relação com Teerã. Aliados europeus e asiáticos, conforme a agência de notícias, recusaram pedidos de ajuda no conflito com o Irã, iniciado sem consulta prévia. A tentativa de Trump de obter da Rússia e da Ucrânia um cessar-fogo limitado à infraestrutura energética também obteve pouco resultado. Na Assembleia Geral da ONU, líderes como o presidente da França, Emmanuel Macron, alertaram contra um “retorno à lei da selva” nas relações internacionais, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a interferência estrangeira, afirmando a necessidade de cooperação para conter o crime.

No Ártico, Trump apresentou um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para expandir a presença militar americana na ilha, que ficou aquém de sua reivindicação inicial de que os Estados Unidos deveriam possuir o território. A sequência de impasses diplomáticos confere peso político aos resultados ainda pendentes da diplomacia americana: a trégua com a China foi prolongada, mas as divergências bilaterais persistem; a guerra com o Irã continua; e as tentativas de Trump de obter apoio de aliados e concessões em outros conflitos seguem enfrentando resistência.