O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, utilizou sua agenda em Nova York para denunciar a política dos Estados Unidos contra a ilha. O chanceler participou de 11 intervenções multilaterais e mais de 30 reuniões bilaterais, destacando as consequências humanitárias das restrições energéticas, durante a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Entre os encontros, Rodríguez se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com o presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman. A programação também incluiu discussões com representantes de nações da África, América Latina e Caribe, Europa, Ásia e Oceania. Em conversas com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o ministro apresentou a visão de Havana sobre a situação humanitária cubana, atribuindo as dificuldades ao bloqueio energético imposto pelo governo norte-americano.
Diplomacia cubana em pauta na ONU
Durante o Debate Geral da Assembleia, Rodríguez defendeu as posições de Cuba, enfatizando o respeito ao multilateralismo e aos princípios da organização, além de criticar a escalada da hostilidade dos Estados Unidos. Em sua agenda multilateral, o chanceler abordou temas como desenvolvimento, direitos humanos, saúde pública, mudanças climáticas e desarmamento nuclear.
Ele participou da reunião de ministros das Relações Exteriores da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), do encontro anual do G77 com a China e do Grupo de Haia, focado na defesa do direito internacional. O ministro também discursou em eventos comemorativos dos 40 anos da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento e dos 25 anos da Declaração e do Programa de Ação de Durban, que visam combater o racismo e a discriminação racial. Na área ambiental, Rodríguez esteve presente em uma plenária sobre as ameaças da elevação do nível do mar. A programação incluiu debates sobre prevenção e resposta a pandemias, o quinto aniversário da Iniciativa Global para o Desenvolvimento e a promoção do Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares.
Encontros além da ONU
Além dos compromissos na ONU, que ocorreram entre 21 e 29 de setembro, o ministro cubano manteve encontros com representantes das igrejas Católica e Ortodoxa Grega e com líderes da comunidade afro-americana. No evento de solidariedade "Vozes pela Paz, Cuba não é uma Ameaça", Rodríguez agradeceu o apoio à população cubana diante das dificuldades atribuídas ao bloqueio, restrições energéticas e sanções secundárias dos EUA.
Ele reconheceu a persistência desse apoio, apesar das pressões e perseguições que, segundo a delegação, afetam pessoas e organizações solidárias à ilha. Antes da abertura do segmento de alto nível, a comitiva participou do Encontro de Residentes Cubanos nos Estados Unidos, onde o ministro destacou as iniciativas do país para fortalecer os laços com cidadãos cubanos no exterior. Na ocasião, Rodríguez criticou novamente a política norte-americana, classificando o agravamento das medidas como uma punição coletiva que impacta as famílias cubanas. A delegação também contou com a presença do vice-ministro Carlos Fernández de Cossío e da diretora-geral de Assuntos Multilaterais e Direito Internacional, Ileana Núñez. Durante sua estadia em Nova York, Rodríguez concedeu entrevistas à emissora NBC News e à agência Associated Press.






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