Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central desde fevereiro de 2019, enfrenta questionamentos sobre seu papel no escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. Ele é acusado de negligência na fiscalização e de ter aprovado a operação que permitiu a Daniel Vorcaro assumir a instituição, posteriormente renomeada para Banco Master.

As operações investigadas teriam gerado um rombo de R$ 57,4 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com o prejuízo total podendo ultrapassar R$ 63 bilhões. A investigação aponta que diretores do Banco Central, durante a gestão de Campos Neto, teriam atuado para proteger Vorcaro em suas estratégias financeiras.

Alertas ignorados e aprovação controversa

Documentos revelam que o FGC emitiu 38 alertas ao Banco Central, a partir de novembro de 2024, sobre os riscos associados às operações do Banco Master. No entanto, esses avisos teriam sido ignorados pela presidência da autoridade monetária na época.

Em fevereiro de 2019, a Diretoria Colegiada do Banco Central havia rejeitado, por unanimidade, o pedido de Daniel Vorcaro para assumir o controle do Banco Máxima, devido à fragilidade do plano de negócios e a dúvidas sobre seu perfil. Contudo, em outubro do mesmo ano, já sob a gestão de Campos Neto, o pedido foi reapreciado e aprovado por unanimidade (8 a 0), permitindo que Vorcaro assumisse a instituição que se tornaria o Banco Master.

Desdobramentos do escândalo

O escândalo resultou na prisão de Daniel Vorcaro, seu pai Henrique, e outros quatro indivíduos ligados ao Banco Master. A expectativa é que Campos Neto seja responsabilizado pelas investigações em curso, a menos que ocorram intervenções políticas que possam influenciar o andamento do processo.