A percepção pública sobre o vínculo entre a família Bolsonaro e o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master registrou um aumento, segundo levantamento da pesquisa Quaest. Os resultados, divulgados na última segunda-feira, mostram que o percentual de eleitores que considera os Bolsonaro afetados pela crise subiu de 15% para 21% em uma semana.

Em contrapartida, houve uma redução no grupo de entrevistados que viam o escândalo como um problema generalizado do sistema político, caindo de 46% para 37%. Estrategistas da campanha do presidente Lula (PT) observaram esses dados com interesse, interpretando-os como um sinal de que o eleitorado estaria distinguindo os níveis de envolvimento dos nomes citados nas investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Impactos Políticos e Eleitorais

A pesquisa indicou que o desgaste não atingiu outras instituições e figuras políticas com a mesma intensidade. As menções negativas ao Supremo Tribunal Federal (STF) permaneceram estáveis, de 17% para 16%, dentro da margem de erro. Já as citações referentes ao governo Lula e a integrantes do PT tiveram uma leve variação, passando de 9% para 11%.

Essa mudança na opinião pública coincide com a intensificação da comunicação política do PT no primeiro turno, que tem enfatizado o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL) ser o único postulante à Presidência da República formalmente investigado no contexto das irregularidades do Banco Master. A investigação em questão apura repasses financeiros do Banco Master para a produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), e busca verificar possíveis crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega qualquer irregularidade.

Repercussão na Campanha de Lula

Diante da nova percepção popular, que passa a associar o caso mais diretamente à família Bolsonaro, a equipe do presidente Lula planeja explorar politicamente a proximidade entre o senador e o ex-banqueiro Vorcaro. A estratégia eleitoral visa acentuar o contraste ético entre as candidaturas, posicionando Lula como garantidor de rigor nas apurações e Flávio Bolsonaro como investigado pela Justiça.

Apesar do deslocamento de imagem, os dados da Quaest apontam para uma cristalização eleitoral, onde a crise parece consolidar convicções pré-existentes mais do que gerar migração de votos. Para 62% dos eleitores, os fatos sobre o Banco Master não alteram a decisão de voto. Outros 26% afirmam que os acontecimentos reforçam sua escolha, enquanto apenas 7% admitem a possibilidade de mudar de candidato.

A polarização política do país é visível na atribuição de culpa pelos eleitores. Entre os apoiadores de Lula, 46% acreditam que o escândalo afeta negativamente a família Bolsonaro. No grupo alinhado ao bolsonarismo, 37% atribuem os impactos ao governo Lula e 22% ao STF.

A pesquisa Quaest foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, e ouviu 2.004 eleitores em todo o Brasil, entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, com um intervalo de confiança de 95%.