As compras internacionais feitas pela internet somaram 26,5 milhões de remessas em agosto, alta de 74% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). No mesmo período, o valor declarado dessas encomendas aumentou 79%, de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões.
Os dados, divulgados nesta terça-feira (22), consideram as remessas internacionais declaradas no Programa Remessa Conforme e mostram uma aceleração após a retirada do Imposto de Importação federal de 20% sobre pedidos de até US$ 50 em plataformas participantes.
volume avançou a partir de maio
Entre janeiro e abril, a média mensal foi de 15,4 milhões de encomendas. Em maio, o total subiu para 20 milhões, chegou a 28 milhões em junho e ficou acima de 26 milhões em julho e agosto.
Em valores, a média mensal passou de US$ 308 milhões nos quatro primeiros meses do ano para US$ 520 milhões entre maio e agosto. A Abit atribui o movimento à maior pressão sobre a indústria nacional, principalmente nos setores têxtil e de confecção.
abito cobra mais equilíbrio tributário
A entidade cita plataformas como Shopee, AliExpress e Shein e defende regras mais equilibradas entre os produtos fabricados no Brasil e as mercadorias importadas. Segundo a associação, os itens enviados por remessas de baixo valor têm tratamento tributário mais favorável e não passam pelos mesmos controles trabalhistas, ambientais, sanitários e de segurança exigidos da produção nacional.
Em nota, a Abit afirmou: “Essa assimetria já cobra um preço elevado. O aumento das remessas soma-se à forte expansão das importações convencionais e à retração do mercado interno. Como resultado desse conjunto de pressões, a produção vem caindo, empregos estão sendo eliminados e investimentos são adiados ou revistos”.
A associação também mencionou dados do IBGE referentes a julho e disse que a produção têxtil recuou 6,8% e a de vestuário e confecção caiu 8,2%. A Abit concluiu: “Estamos construindo um ambiente no qual, muitas vezes, vale mais a pena importar do que produzir. Com isso, investimentos, renda, arrecadação e empregos são transferidos para o exterior”.






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