A expansão do comércio entre Brasil e ASEAN, os desafios da infraestrutura portuária e os riscos da concentração de mercado foram debatidos em 22 de setembro, em Brasília, em evento promovido pelo Instituto Ásia-Pacífico e pela Frente Parlamentar Brasil-ASEAN.
Diplomatas, representantes do setor portuário, economistas e especialistas em regulação discutiram formas de aprofundar a integração econômica com o bloco asiático sem comprometer a autonomia estratégica brasileira.
asean ganha peso nas exportações brasileiras
Durante o encontro, a ASEAN foi apresentada como um parceiro cada vez mais relevante para o Brasil em meio à diversificação comercial e ao avanço do dinamismo econômico para a Ásia. A avaliação foi de que a relação pode gerar ganhos para os dois lados, desde que o país mantenha regras previsíveis e ambiente regulatório estável.
Marcel Daltro, vice-presidente do Instituto Ásia Pacífico, afirmou que o cenário internacional está “fragmentada” e que decisões de empresas e governos já não seguem apenas critérios de preço e eficiência. O moderador também disse que “hoje a geopolítica mudou” e que “claramente agora há um centro de gravidade voltado para o mundo oriental”.
O embaixador Patrick John Uytiepo, das Filipinas, apontou que o comércio entre Brasil e ASEAN cresceu dez vezes em 20 anos, passando de cerca de US$ 3 bilhões, em 2003, para US$ 30,4 bilhões atualmente. Ele destacou que terminais eficientes e independentes são essenciais para escoar soja, minério de ferro, carne e produtos manufaturados.
portos, concorrência e regulação no centro da discussão
Jesualdo Silva, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), afirmou que o país precisaria investir cerca de 4,5% do PIB por ano para suprir o déficit de infraestrutura. Segundo ele, o setor portuário registrou crescimento de 6,2% na movimentação de toneladas de 2024 para 2025.
Na área concorrencial, o ex-presidente do Cade Gesner de Oliveira alertou para a concentração no mercado de contêineres e disse que a outorga não deve ser o único critério nos processos de concessão. Já Edson Vismona, presidente executivo do ETCO, defendeu a autonomia das agências reguladoras e afirmou que essa independência precisa ser preservada e respeitada.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.