A remoção do helicóptero que caiu em Urubici, Santa Catarina, resultando na morte de cinco pessoas, incluindo o cantor Rick, começará pela retirada de combustível e outros materiais perigosos. A empresa proprietária da aeronave, JTA Empreendimentos e Urbanismo, de Porto Belo, é a responsável pela operação de limpeza e remoção dos destroços em uma encosta de difícil acesso na Serra catarinense.

As informações, baseadas em dados da Força Aérea Brasileira (FAB) e explicações do especialista em Aeronáutica da USP, James Waterhouse, indicam que, apesar de autorizada, ainda não há uma data definida para o início da remoção efetiva. O helicóptero Bell 430 acidentou-se na última segunda-feira (21) durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim, sendo localizado no dia seguinte. A caixa-preta foi recuperada na quarta-feira (23) por uma equipe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e será crucial para a investigação.

Procedimento de segurança e complexidade

Conforme Waterhouse, a etapa inicial após a liberação do local pelo Cenipa consiste em neutralizar qualquer fonte de risco, como itens inflamáveis, baterias e tanques de oxigênio, para prevenir incêndios ou explosões durante os trabalhos. Somente após essa fase, a remoção do helicóptero poderá ser realizada, minimizando perigos para as equipes e o entorno.

A complexidade da operação é acentuada pelo local do acidente: uma área de encosta com acesso restrito. Além disso, o peso máximo de decolagem do Bell 430, de 4.218 quilos, será um fator determinante no planejamento logístico da remoção. O Código Brasileiro de Aeronáutica impõe ao proprietário a responsabilidade não só pela retirada dos destroços, mas também pela descontaminação da área afetada, visando à proteção ambiental, da saúde pública e de propriedades de terceiros.

Investigação e seguro obrigatório

O helicóptero, de matrícula PP-MGR, fabricado em 2001 e com capacidade para oito pessoas, tinha situação regular na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com certificação válida até agosto de 2027 e autorização para voos noturnos. Além de Rick, morreram no acidente o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

As causas da queda ainda estão sob investigação. Entre as hipóteses consideradas por especialistas, estão a colisão com obstáculos, voo em baixa altitude em relação às montanhas e condições meteorológicas adversas, visto que a região estava sob alerta de fortes tempestades. A apuração é conduzida em duas frentes: a Polícia Civil investiga as circunstâncias gerais, enquanto o Cenipa foca na prevenção de acidentes futuros. A análise da caixa-preta, em conjunto com a inspeção dos destroços e outros dados, será fundamental para elucidar os fatores que levaram à queda. Waterhouse ainda lembrou que aeronaves possuem seguro obrigatório, o RETA, que cobre danos a pessoas e propriedades em solo em caso de acidentes.