A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reitera sua posição contrária à instrumentalização da fé para ganhos políticos, um tema que ganhou destaque novamente após críticas. Essa postura remete à atuação da entidade em 2022, quando condenou a disseminação de notícias falsas e a manipulação religiosa no contexto eleitoral, principalmente por parte de figuras políticas e religiosas.
Em 2022, a CNBB denunciou a prática de usar a religião para distorcer os valores do Evangelho e desviar o foco dos problemas reais do país. À época, a Conferência frisou a necessidade de um compromisso autêntico com a verdade e os princípios do Evangelho.
Engajamento social e ética cristã
Há uma vertente progressista na Igreja Católica que se dedica à defesa dos excluídos e ao combate às desigualdades, criticando preconceitos e discriminações. Essa linha de pensamento, representada por figuras como Dom Paulo Evaristo Arns e Padre Júlio Lancellotti, vê o engajamento cristão como uma ação concreta em prol da justiça social, e não apenas como a preparação espiritual para a vida eterna.
Sacerdotes engajados nesse ideal entendem que a missão pastoral envolve denunciar injustiças e a insensibilidade de quem detém poder e riqueza frente à miséria. Para eles, é fundamental que a Igreja se posicione exigindo dos candidatos políticos compromissos reais com a reversão de quadros de pobreza, sem usar a fé para proselitismo partidário.
Combate à desinformação e desvirtuamento da fé
A entidade observa que, no Brasil, a diversidade religiosa e o ecumenismo são características importantes, mas têm sido desrespeitados pela distorção da palavra divina e pelo uso do nome de Deus para incitar o ódio. Há uma preocupação com o uso eleitoral da religião, com promessas de salvação e estímulos ao medo para influenciar eleitores.
A CNBB, embora seja um organismo de natureza conservadora, combate a desinformação e a mentira, em linha com o que o Papa Francisco descreve como dever cristão. O Papa defende a importância de desenvolver o senso crítico, especialmente nos jovens, para discernir entre o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, um sinal de que a Igreja se posiciona contra a obsolescência de certos discursos religiosos.






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