A redução significativa da frota de ônibus em São Paulo prejudicou milhares de eleitores na votação do segundo turno de 25 de outubro de 2026, causando atrasos de mais de duas horas para chegar às seções eleitorais. A frota circulou com apenas 70% da capacidade, contrariando a determinação da Justiça Eleitoral de manter 100% equivalente aos dias úteis.

Na Zona Sul, particularmente em Capão Redondo e Campo Limpo, paradas de ônibus ficaram lotadas. O autônomo Alexandre Mendes, 44 anos, saiu de Interlagos esperando levar 40 minutos, mas após caminhar até o metrô e aguardar mais de meia hora em uma parada, não havia conseguido chegar à seção às 16h33. "Acho que não vou conseguir votar", disse ele quando finalmente um ônibus chegou. A situação se repetiu em diversos pontos da região. A trabalhadora Priscila Mourão, que votou pela manhã, observou: "Hoje parece que tem menos ônibus, está demorando muito". Ambos os casos refletem um padrão enfrentado particularmente por trabalhadoras e trabalhadores dependentes de transporte público.

Houve também confusão sobre a extensão do horário de votação. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, demorou horas para decidir e comunicou que não haveria prorrogação. Minutos antes do encerramento previsto, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cristiano Zanin, decidiu estender o período por mais duas horas — uma situação inédita no país que levou à paralisação da divulgação de resultados que já havia sido iniciada.

O Partido dos Trabalhadores pediu a prisão do prefeito Ricardo Nunes e do secretário de Mobilidade Urbana e Transportes, Celso Jorge Caldeira, responsabilizando-os pela restrição do transporte. Em paralelo, o mesmo ocorreu em Salvador, onde o prefeito Bruno Reis foi alvo de pedido de prisão por redução semelhante da frota. A redução do transporte afetou principalmente os bairros periféricos da cidade, onde Lula teve melhor votação no primeiro turno, vencendo por uma margem de aproximadamente 300 mil votos sobre seu oponente na capital paulista, o maior colégio eleitoral do país.