A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou neste sábado (17) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma nova petição. O objetivo é a apreciação célere de um pedido de direito de resposta contra a revista Veja, acusada de veicular e manter em seu portal informações não comprovadas sobre supostas declarações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os advogados de Lula, em documento enviado ao ministro Nunes Marques, presidente do TSE, argumentam que a publicação continua a ser fonte para acusações eleitorais, apesar dos desmentidos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A defesa solicita a remoção da reportagem e de duas publicações relacionadas no Instagram em até 12 horas. Alternativamente, pede a inclusão de um aviso destacado que contenha as manifestações oficiais dos órgãos de investigação. A petição foi protocolada no processo nº 0602772-67.2026.6.00.0000, iniciado em 9 de outubro. Segundo os advogados, o pedido de urgência está apto para julgamento desde que a editora Abril Comunicações apresentou sua defesa, mas ainda aguarda decisão, superando o prazo legal de 72 horas para pedidos de direito de resposta, que expirou em 12 de outubro. Com o segundo turno presidencial previsto para 25 de outubro, os representantes de Lula alegam que a demora impede a reparação dos efeitos da publicação antes da votação.

Desmentidos da PF e PGR e contestação da perícia

Um dos pilares da argumentação da coligação é que a reportagem atribuiu a Daniel Vorcaro informações que, conforme as autoridades investigativas, não foram apresentadas formalmente à Polícia Federal. Os advogados citam manifestação da PF, segundo a qual o ex-banqueiro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, registrou que “não houve depoimento oral”, conforme documento citado pela defesa. Os advogados também afirmam que os responsáveis por um documentário sobre o cineasta Oliver Stone negaram ter recebido recursos de Vorcaro. Outro ponto contestado refere-se à suposta aplicação de dinheiro de fundos de pensão federais no Banco Master. A petição indica que nenhuma dessas entidades realizou os investimentos mencionados nas acusações, e a própria reportagem, segundo a defesa, reconheceu que o banqueiro “seguiu sem conseguir captar recursos nos fundos federais”.

A coligação também questiona a perícia técnica particular apresentada pela revista para validar a autenticidade dos áudios atribuídos ao ex-banqueiro. Os advogados argumentam que o documento não analisou diretamente o arquivo publicado pela Veja, que, conforme admitido pela editora, passou por cortes. A análise teria sido feita sobre cinco mensagens de WhatsApp exportadas em 9 de outubro, após a divulgação da reportagem, sem acesso ao aparelho original. O parecer, segundo a petição, concluiu que a voz era compatível com a de Daniel Vorcaro, mas não avaliou a veracidade das declarações. “Gravação autêntica de um relato não torna o relato verdadeiro”, afirma a defesa. Os representantes do presidente ainda sustentam que a revista atualizou a matéria com manifestações da PGR e de Augusto Lima, mas omitiu a nota da Polícia Federal que contradiz a narrativa.

Uso eleitoral das acusações e pedido final

A controvérsia também gerou manifestação do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e da campanha presidencial de Lula. Em nota, o jurista criticou a nova capa da Veja, baseada em declarações de Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro, e sugeriu que a sequência de publicações aponta para uma tentativa de construir artificialmente uma delação premiada com fins eleitorais. “A nova capa da revista Veja, baseada em declarações de Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reforça as suspeitas de uma tentativa de construir artificialmente uma delação premiada do ex-banqueiro, com claros objetivos eleitorais, para favorecer Flávio Bolsonaro e assim obter sua liberdade”, afirmou. Carvalho considera que a exposição dessas informações pode ser uma estratégia para atingir eleitoralmente Lula e beneficiar seu adversário na disputa presidencial, ressaltando que a revista insiste em acusações sobre supostos investimentos de fundos de pensão federais, os quais nunca teriam ocorrido.

Na petição ao TSE, a defesa de Lula alega que o conteúdo da Veja continuou a ser usado por adversários políticos mesmo após os desmentidos oficiais. O documento menciona um vídeo divulgado pelo candidato a vice-presidente da chapa adversária, no qual foi afirmado que Lula “exigiu um bilhão de reais e dinheiro adiantado que recebeu”. O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou liminarmente a remoção do vídeo, observando que a publicação “converte em certeza o que seria relato atribuído a terceiro, e que ainda não foi confirmado”. Em outro procedimento, a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou favoravelmente ao direito de resposta. A coligação sustenta que o mesmo mecanismo de transformar alegações não comprovadas em afirmações categóricas se repetiu em 16 de outubro, em entrevista do candidato adversário à TV Globo. Na ocasião, o presidenciável afirmou que João Vaccari Neto, associado ao Instituto Lula, teria participado de uma negociação envolvendo R$ 1 bilhão em investimentos de fundos de pensão federais no Banco Master e uma suposta propina de 10%. A defesa presidencial contesta essa declaração, apontando que a PF havia informado não ter recebido o depoimento ou os documentos descritos na reportagem.

A manifestação apresentada neste sábado reitera o pedido de tutela de urgência e solicita que o TSE determine a exclusão da reportagem digital e de duas publicações no Instagram em 12 horas, sob pena de multa diária. Caso a retirada não seja ordenada, a coligação requer que a revista publique imediatamente, no início do texto, um aviso em destaque com o conteúdo das notas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. A defesa também pede que o Ministério Público Eleitoral seja ouvido em um dia e que o mérito do direito de resposta seja julgado antes do segundo turno. Para os advogados, a permanência da reportagem no portal da Veja permite que as acusações continuem sendo reproduzidas na reta final da campanha.