247 – A CNN afirmou nesta sexta-feira (18) que uma eventual tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impedir seus jornalistas de acessar a Casa Branca representaria, na avaliação da emissora, uma violação de um direito protegido pela Constituição estadunidense. Em comunicado divulgado após o anúncio presidencial, a rede declarou apoio à equipe responsável pela cobertura do governo e sustentou que seus profissionais têm direito de exercer o trabalho sem interferência estatal.
Jornalistas da emissora continuavam trabalhando normalmente na Casa Branca depois da declaração de Trump. Uma equipe da rede também seguia escalada para acompanhar o vice-presidente JD Vance no grupo de imprensa. A manifestação ocorreu depois que o presidente anunciou que CNN, MS NOW e Politico deixariam de ter acesso à sede do Executivo.
“A CNN apoia plenamente sua equipe na Casa Branca e a cobertura justa e precisa realizada por seus jornalistas. Temos o direito, garantido pela Constituição dos Estados Unidos, de fazer essa cobertura sem obstáculos ou interferência do governo. Se a proibição ameaçada pelo presidente Trump for levada adiante, isso representará um ataque ilegal a esse direito fundamental e protegido pela Constituição”, afirmou o comunicado divulgado pela emissora.
A emissora, portanto, sustenta que a Constituição dos Estados Unidos protege a atividade de seus profissionais e argumenta que o governo não pode impedir a cobertura por discordar do conteúdo publicado.
Presidente anunciou restrição contra três veículos
Horas antes, Trump publicou na Truth Social que pretendia barrar CNN, MS NOW e Politico da Casa Branca “com efeito imediato”. Ele acusou as três organizações de divulgar “FAKE NEWS” e disse que outras empresas jornalísticas poderiam sofrer medidas semelhantes.
Na publicação, o presidente afirmou que veículos de comunicação não deveriam poder divulgar aquilo que classificou como “FICTION and LIES” ao tratar da Presidência, de seu governo ou dos Estados Unidos. Ele não apresentou na mensagem uma reportagem específica que tivesse motivado a decisão.
Mais tarde, em conversa com jornalistas, o presidente disse que poderia ampliar a proibição para outros veículos e declarou que pretendia levar a restrição “as far as you can”.
Apesar do anúncio, reportagens publicadas ao longo da sexta-feira indicaram que a Casa Branca ainda não havia retirado a equipe da CNN de seu espaço de trabalho. A emissora manteve profissionais no local e continuou participando de atividades de cobertura.
Disputa envolve a Primeira Emenda
O embate coloca novamente no centro do debate a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege, entre outros direitos, as liberdades de expressão e de imprensa.
A eventual aplicação de uma proibição ampla poderá gerar contestação judicial. O alcance da medida terá peso nessa discussão, já que presidentes possuem margem para definir quem participa de determinados eventos restritos, enquanto a retirada de credenciais ou a exclusão de instalações de imprensa abertas de forma regular envolve outras garantias constitucionais.
O governo estadunidense já enfrentou disputas judiciais semelhantes. Em 2025, a Casa Branca limitou o acesso da Associated Press a determinados eventos após a agência manter a denominação Golfo do México em sua cobertura, apesar da orientação presidencial para o uso de “Golfo da América”. A AP recorreu à Justiça com base na Primeira Emenda.
Durante o primeiro mandato de Trump, a CNN também levou à Justiça a retirada da credencial do então correspondente Jim Acosta, em 2018. Um juiz indicado pelo próprio presidente determinou temporariamente a restauração do acesso do jornalista, e a Casa Branca posteriormente devolveu a credencial de forma permanente.
CNN mantém equipe na Casa Branca
Ao responder ao anúncio desta sexta-feira, a CNN concentrou seu posicionamento na proteção constitucional da atividade jornalística. A emissora não anunciou interrupção da cobertura nem retirada de seus profissionais.
O comunicado também afirma que a rede sustenta o trabalho realizado por sua equipe na Presidência e rejeita a possibilidade de o governo condicionar o acesso ao conteúdo das reportagens.






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