A China reafirmou sua defesa do multilateralismo e da cooperação internacional como pilares para a resolução de conflitos e para superar desafios globais. Durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o vice-presidente chinês, Han Zheng, declarou o compromisso de Pequim em trabalhar com todos os países para edificar uma “comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”. A participação de Han ocorreu entre 24 e 26 de setembro, destacando que o cenário mundial atual é marcado por tensões geopolíticas persistentes, crescente disparidade no desenvolvimento entre nações e uma multiplicidade de problemas que demandam soluções conjuntas.

Nesse contexto, o vice-presidente chinês apresentou as quatro iniciativas globais propostas pelo presidente Xi Jinping — referentes a Desenvolvimento, Segurança, Civilização e Governança Global. Essas iniciativas, segundo Han, visam abordar as questões prementes e reformar o sistema de governança internacional. Na esfera da segurança, a China defendeu a manutenção do sistema internacional centrado na ONU e da ordem estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, enfatizando que as disputas devem ser solucionadas através do diálogo e do respeito à Carta da ONU e ao direito internacional. Han também criticou ações militares unilaterais sem autorização do Conselho de Segurança e ressaltou a responsabilidade das grandes potências na manutenção da paz.

Foco no Desenvolvimento e no Sul Global

O desenvolvimento foi um tema central no discurso, com Han defendendo uma parceria internacional pautada na igualdade e inclusão, priorizando a redução da pobreza, segurança alimentar e transição energética. Ele também cobrou dos países desenvolvidos o cumprimento de seus compromissos financeiros para o desenvolvimento e para o combate às mudanças climáticas. A China reiterou a importância de ampliar a representação e a voz dos países do Sul Global nas instituições internacionais, argumentando que as reformas da ONU devem fortalecer a organização e aumentar sua capacidade de resposta às transformações globais, mantendo o princípio da igualdade soberana entre os Estados.

A redução da desigualdade tecnológica também foi abordada, com Han defendendo uma abordagem centrada nas pessoas para a inteligência artificial, buscando usar a tecnologia para o desenvolvimento e o bem comum. Para Pequim, a expansão da IA deve vir acompanhada de esforços para diminuir a desigualdade digital e distribuir seus benefícios de forma mais ampla. Na economia, o vice-presidente criticou o protecionismo e defendeu a preservação do sistema multilateral de comércio, centrado na Organização Mundial do Comércio, afirmando que um ambiente internacional aberto e cooperativo é essencial para o pleno desenvolvimento de qualquer nação.

Diálogo e Governança Internacional

Han Zheng conectou a estabilidade internacional ao respeito pela diversidade cultural e política, defendendo que os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento uns dos outros e intensificar o diálogo entre diferentes civilizações, evitando preconceitos ideológicos e tentativas de impor modelos universais. A China defende que países de todos os portes devem participar igualmente da governança internacional e que as decisões sobre questões globais devem ser construídas por meio de consultas.

Pequim também propôs reformas para tornar o sistema internacional mais representativo dos países em desenvolvimento. O vice-presidente lembrou que 2026 marcará 55 anos da restauração do assento da República Popular da China nas Nações Unidas, destacando o compromisso do país com a estabilidade internacional, o desenvolvimento econômico e a ampliação da participação dos países em desenvolvimento na governança global. Segundo dados apresentados por Han, a China contribuiu com cerca de 30% do crescimento econômico mundial nos últimos anos e mobilizou mais de US$ 23 bilhões através da Iniciativa de Desenvolvimento Global, além de conceder acesso com tarifa zero a produtos de países africanos e nações menos desenvolvidas com as quais mantém relações diplomáticas.

Ao finalizar sua participação, Han reafirmou a visão chinesa de que os grandes desafios contemporâneos exigem mais, e não menos, cooperação internacional. A proposta de Pequim inclui o fortalecimento das Nações Unidas, o diálogo para a resolução de conflitos, o desenvolvimento compartilhado e a construção de uma ordem internacional que garanta maior participação dos países do Sul Global nas decisões.