A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia, em Brasília, que pode ser difícil impedir uma adesão formal de partidos do Centrão a Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Diante disso, aliados do petista passaram a agir para reduzir perdas e manter pontes com lideranças políticas e bancadas estaduais.
Segundo a estratégia discutida no entorno de Lula, a prioridade é preservar canais com siglas que ficaram neutras no primeiro turno e com nomes que têm influência nacional, como Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado.
Desgaste com partidos e disputa nos estados
Integrantes da campanha reconhecem que parte do Centrão passou a olhar com mais interesse para Flávio Bolsonaro à medida que o senador cresceu nas pesquisas. Aliados de Lula também citam atritos recentes com dirigentes dessas legendas em estados, o que teria dificultado a construção de alianças mais estáveis.
Um dos episódios lembrados é a reação ao mal-estar com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP. Em visita ao Piauí, Lula fez uma fala em que disse não aceitar “vira-latas” ao defender seus aliados na disputa ao Senado, declaração que foi entendida por interlocutores de Nogueira como uma indireta.
Apesar disso, Ciro manteve o PP em neutralidade no primeiro turno e ficou distante da campanha de Flávio. No estado, aliados de Lula também apontam que o presidente tem força eleitoral e que o governador Rafael Fonteles (PT) aparece bem posicionado na disputa local.
Negociação para o segundo turno
A tarefa de conter uma aproximação automática do Centrão com Flávio ficou nas mãos de dirigentes petistas que participaram das conversas pela neutralidade no primeiro turno, entre eles Edinho Silva e o ministro José Guimarães. No cálculo da campanha, o comportamento dessas siglas vai depender do resultado das urnas na etapa inicial.
Se Flávio sair fortalecido, cresce a expectativa de apoio de parte do Centrão. Um integrante do bloco resumiu o cenário dizendo que, “a preço de hoje”, a tendência seria caminhar com o senador como “2 + 2 = 4”.
Enquanto isso, Lula intensificou agendas regionais para preservar aliados e evitar novos desgastes. Nesta quinta-feira, o presidente deve ir a Maceió para um comício a pedido de Renan Filho e Renan Calheiros, e depois viajar a Pernambuco a convite de João Campos.
No entendimento de aliados, a neutralidade do Centrão no primeiro turno já foi uma vitória importante para a campanha petista. Agora, a preocupação é impedir que esse movimento se transforme em apoio formal a Flávio Bolsonaro na fase decisiva da eleição.






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