A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pediu nesta quarta-feira (23) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação do registro da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Alfredo Gaspar (PL-RN). A ação também pede apuração sobre uma possível atuação de agentes e estruturas dos Estados Unidos para influenciar a eleição presidencial de 2026.
Na representação, a campanha de Lula incluiu ainda o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e afirmou que o conjunto de fatos pode configurar abuso dos poderes político e econômico, além de uso indevido dos meios de comunicação. O caso chegou ao TSE em 23 de setembro e foi distribuído ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
Pedido de investigação
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral pede a cassação dos registros ou diplomas de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar. O texto também solicita a inelegibilidade dos irmãos Bolsonaro por oito anos, além de depoimentos e o envio de documentos pelo Itamaraty, Senado, Câmara dos Deputados e Polícia Federal.
Entre os pedidos, a coligação quer informações de plataformas digitais sobre publicações ligadas ao caso e, em etapa posterior, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos. A ação também busca esclarecer se houve uso de estruturas parlamentares, servidores, passagens ou verbas públicas em deslocamentos e compromissos citados na petição.
Frentes da acusação
Segundo a campanha de Lula, a atuação atribuída ao grupo político teria ocorrido em três frentes: comunicacional, institucional e diplomática. A peça sustenta que essas frentes teriam servido para levar ao exterior e depois trazer de volta ao debate brasileiro narrativas sobre liberdade de expressão, perseguição política e confiabilidade do sistema eletrônico de votação.
O documento afirma ainda que Flávio Bolsonaro e Eduardo mantiveram contatos com integrantes do governo de Donald Trump sem passar pelos canais diplomáticos oficiais brasileiros. A petição também cita tarifas, sanções, restrições de visto e reuniões com representantes dos EUA, além de declarações de Flávio em evento da Conservative Political Action Conference (CPAC), no Texas, em 28 de março de 2026.
A AIJE também cita a Rockbridge Network e pede apuração sobre eventual origem de recursos, serviços ou estruturas colocados à disposição da campanha. O texto menciona ainda um memorando sobre minerais críticos e terras raras, preparado por André Marinho, e uma viagem dele aos Estados Unidos com encontro com J.D. Vance.
O coordenador jurídico da campanha de Lula, Angelo Ferraro, disse que a apuração deve esclarecer a origem de recursos e o eventual papel de agentes estrangeiros. A coligação afirma que a existência de contatos ou relações políticas não comprova, por si só, financiamento eleitoral externo, e quer que o TSE verifique se houve coordenação, prestação de serviços ou outro tipo de contribuição com valor econômico.






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