A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifesta inquietação diante da eventual exploração política de questões relacionadas à saúde de Jair Bolsonaro, com o objetivo de angariar apoio para a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na etapa final do primeiro turno. Essa preocupação, que já circulava entre os petistas, ganhou força após a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) mencionar que Bolsonaro teria passado mal em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar.

A informação sobre o receio da campanha petista foi divulgada com base em relatos de bastidores. Damares Alves associou o suposto mal-estar de Bolsonaro ao cancelamento de compromissos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Contudo, a assessoria de Michelle informou que a agenda dela foi mantida normalmente.

Possível internação antes da votação

Auxiliares de Lula consideram a possibilidade de Jair Bolsonaro ser internado antes da votação. Nos bastidores da campanha petista, há o temor de que uma eventual hospitalização possa gerar uma mobilização emocional entre os apoiadores do ex-presidente, impactando diretamente a candidatura de Flávio. Esta interpretação é compartilhada por membros da campanha de Lula. Não há, contudo, informações que indiquem uma intenção de Jair Bolsonaro em utilizar deliberadamente uma internação como estratégia eleitoral.

A preocupação surge em um momento de acirrada disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamentos divulgados nesta fase final da campanha mostram os dois candidatos com resultados próximos, enquanto pesquisas internas das próprias campanhas apresentam cenários distintos. Há relatos de que os trackings do PT apontam um avanço de Lula, ao passo que levantamentos internos do PL indicam um cenário mais favorável a Flávio.

Reta final da disputa eleitoral

Com o primeiro turno se aproximando, Lula e Flávio intensificaram suas agendas de campanha na região Sudeste, que concentra mais de 40% do eleitorado brasileiro. Lula programou compromissos em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, enquanto Flávio também concentrou suas atividades eleitorais na mesma região.

A mobilização do eleitorado tornou-se uma das principais preocupações das duas campanhas nos dias que antecedem a votação. Aliados de Lula procuram evitar um clima de vitória antecipada, mesmo diante de melhorias registradas por alguns levantamentos internos do PT. Por sua vez, a campanha de Flávio busca manter a base de apoiadores de Jair Bolsonaro mobilizada. Nesse cenário de disputa voto a voto, qualquer acontecimento com potencial de mobilização é acompanhado de perto pelas campanhas, incluindo notícias relacionadas à saúde do ex-presidente e seus possíveis efeitos eleitorais.