A poucos dias do pleito presidencial, o jornalista Breno Altman estimou a probabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva concluir a disputa no primeiro turno em 40%, enquanto vê 60% de chance de a eleição seguir para uma segunda rodada. Em entrevista à TV 247, Altman ressaltou que a mobilização dos eleitores nos últimos dias, a concentração do voto da direita em Flávio Bolsonaro e a capacidade da base lulista de se engajar serão cruciais para o desfecho.

Segundo Altman, Lula deve terminar o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro, mas a margem dessa vantagem dependerá do comportamento do eleitorado dos demais candidatos. Ele observou que um enfraquecimento das outras candidaturas de direita na reta final pode concentrar os votos contrários ao PT em Flávio Bolsonaro, favorecendo-o. "Um derretimento súbito dos candidatos de direita, que pode acontecer na reta de chegada, favorece o Flávio Bolsonaro”, explicou.

Cenários e Estratégias

Mesmo considerando a vitória no primeiro turno possível, Altman sugeriu que a campanha de Lula também deve se preparar para um segundo turno. Nesse cenário, o percentual alcançado pelo presidente no domingo seria vital. Para o jornalista, Lula deveria atingir cerca de 49% dos votos válidos para ter uma posição mais confortável em uma eventual segunda etapa. Uma votação abaixo desse patamar demandaria a busca por novos eleitores, principalmente entre os que se abstiveram no primeiro turno, diferentemente de 2022, quando Lula teve uma reserva eleitoral maior vinda de outros candidatos.

Altman identificou dois movimentos importantes na reta final: o "antipetismo de chegada" e o "petismo de chegada". O primeiro refere-se à concentração do eleitorado anti-PT em torno de Flávio Bolsonaro. Já o "petismo de chegada" é a intensa mobilização da militância lulista, que inclui movimentos sociais, sindicatos e eleitores em geral, buscando angariar apoio para a candidatura de Lula. Essa mobilização, conforme Altman, pode ser determinante para mobilizar alguns pontos percentuais do eleitorado em uma disputa apertada.

Mudanças na Campanha e Fatores Regionais

A melhora de Lula nas pesquisas também está ligada a uma mudança na estratégia da campanha, na avaliação de Altman. Ele observou que, até recentemente, a campanha focava nas realizações do terceiro mandato, mas passou a priorizar propostas com impacto direto na vida das famílias, como o aumento do Bolsa Família e a discussão sobre o fim da escala 6x1. Essa mudança teria tornado a campanha mais voltada para o futuro e menos para a retrospectiva, gerando maior engajamento.

A distribuição regional dos votos também é crucial. Lula mantém sua força no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro tem maior desempenho no Sul e Centro-Oeste, colocando o Sudeste como a região decisiva. Para Altman, um crescimento de Lula no Sudeste pode definir a eleição, sendo São Paulo o maior desafio para a esquerda. Minas Gerais, por sua vez, apresenta um cenário mais favorável, enquanto o Rio de Janeiro exige atenção ao comportamento do eleitorado da Baixada Fluminense e do interior. A eleição, ainda segundo Altman, apresenta um menor grau de envolvimento político visível nas ruas em comparação a 2022, o que torna ainda mais importante a capacidade das campanhas de alcançar os indecisos e estimular o comparecimento às urnas.