A brasileira Sara de Cassia Alves, de 36 anos, foi detida por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em 11 de setembro, no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma. Natural de Sorocaba, São Paulo, ela estava acompanhada do marido quando foi abordada. A família da brasileira aguarda uma audiência marcada para 5 de outubro, na qual a Justiça deve tratar da possibilidade de fiança. Sara é casada com o cidadão americano Thomas Boudreau e reside com ele na Flórida.

Entenda a detenção e a mobilização da família

A irmã de Sara, Claudia Alves, informou que a detenção envolve questões relacionadas a visto e a uma autorização de extensão de permanência vinculada ao trabalho. Sara e seu marido viajaram a Seattle para um casamento de família. Agentes do ICE a abordaram logo após o desembarque. Desde então, a brasileira permanece sob custódia. Familiares e amigos, tanto nos EUA quanto no Brasil, estão mobilizados para custear a defesa jurídica e arrecadar fundos para uma eventual fiança.

A família contratou um advogado para o processo migratório, com custos estimados entre US$ 7 mil e US$ 20 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 36 mil a R$ 103,4 mil. Duas campanhas de arrecadação foram organizadas: uma no Brasil, que havia reunido R$ 2,6 mil até a noite de 30 de setembro, e outra nos EUA, que acumulava US$ 9.962, cerca de R$ 50 mil. A audiência de 5 de outubro é a próxima etapa crucial para a família, que espera a definição do valor de uma possível fiança.

Condições no centro de detenção e visitas

Allison Montoya, cunhada de Sara, relatou nas redes sociais as condições vivenciadas pela brasileira no centro de detenção. Segundo Allison, Sara divide um grande salão, comparável a um ginásio escolar, com aproximadamente 95 mulheres, dormindo em beliches. As luzes permanecem acesas constantemente, e as detentas são acordadas às 7h diariamente para contagem. Sara também mencionou problemas com a qualidade da água e da alimentação no local. As detentas podem adquirir produtos na cantina, incluindo até cinco garrafas de água por semana, se receberem depósitos de parentes.

O marido de Sara, Thomas, enfrenta uma rotina de visitas desafiadora, percorrendo cerca de 88 quilômetros para chegar ao centro de detenção em dias ímpares, conforme as regras da unidade. O trajeto de ida e volta pode levar de três a quatro horas devido ao trânsito em Seattle. O contato telefônico de Sara também depende de recursos depositados por familiares, já que a unidade cobra pelas ligações através da conta da cantina. Mais de duas semanas após a abordagem no aeroporto, Sara continua detida, enquanto sua defesa prepara a audiência de 5 de outubro, com a esperança de definir as condições para sua liberação sob fiança.