Um acordo bilionário, com a aquisição do Projeto Caldeira, em Minas Gerais, pela empresa australiana Lynas Rare Earths, deve levar à criação de uma planta de processamento de terras raras no Brasil. O anúncio da transação, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia, ocorreu 15 dias após a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Projeto Caldeira, localizado no município de Caldas, Sul de Minas Gerais, possui um vasto recurso mineral de óxidos de terras raras em argilas iônicas, o maior conhecido fora da China. Ele contém aproximadamente 802 mil toneladas de neodímio e praseodímio (NdPr) e 41 mil toneladas de disprósio e térbio (DyTb). Esses elementos são cruciais na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, utilizados em veículos elétricos, turbinas de energia eólica e eletrônicos.
Impacto e investimentos previstos
A incorporação do empreendimento pela Lynas Rare Earths representa um aumento significativo nos recursos minerais da companhia (79%) e em suas reservas de minério (26%). A empresa, que detinha cerca de A$ 1,2 bilhão em caixa e depósitos de curto prazo até junho de 2026, também prevê uma linha de financiamento provisória de até R$ 110 milhões para o desenvolvimento do Projeto Caldeira, cobrindo despesas da transação e capital de giro.
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos visa estimular o beneficiamento e a transformação mineral no Brasil, com incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034, vinculados ao nível de agregação de valor no território nacional. A legislação também autoriza a participação da União com até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor da Atividade Mineral, para reduzir riscos no financiamento de projetos do setor.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou a importância da iniciativa. Segundo ele, o acordo e o investimento são um marco para a mineração brasileira, impulsionando o país a avançar nas etapas de processamento das cadeias produtivas. A intenção é que as riquezas minerais brasileiras fortaleçam a capacidade industrial e tecnológica nacional, gerando empregos e desenvolvimento.
A transação entre a Lynas Rare Earths Limited e a Meteoric Resources Limited, que envolve a aquisição de 100% das ações da Meteoric pela Lynas, coloca o Projeto Caldeira no centro da estratégia de expansão da empresa australiana. A Lynas pretende avaliar o potencial para o desenvolvimento de atividades de separação de terras raras no Brasil, buscando maior agregação de valor antes da comercialização do produto.
Essa iniciativa pode fortalecer a cadeia brasileira de terras raras, promover a formação de capacidades técnicas locais e ampliar a participação do Brasil em etapas da cadeia mineral com maior conteúdo tecnológico. A expectativa é que a combinação da experiência da Meteoric no Projeto Caldeira com a expertise da Lynas em processamento e operação de ativos de terras raras crie uma plataforma para oportunidades de longo prazo no Brasil, incluindo transferência de conhecimento e tecnologia.






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