As eleições deste domingo (4) prometem uma grande renovação no Senado Federal, com 54 das 81 cadeiras em disputa – duas por estado e pelo Distrito Federal. Este cenário surge em um momento de baixa representação feminina na Casa e um crescimento notável de candidaturas de mulheres. De acordo com um levantamento da Agência Senado, utilizando dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 69 mulheres registraram suas candidaturas em 2026, representando um aumento de 19% em comparação com 2022. Muitas dessas candidatas são apoiadas pelo presidente Lula em diversas regiões do país e focam suas plataformas em direitos das mulheres, políticas sociais, educação, meio ambiente, proteção de crianças e adolescentes, e defesa das instituições democráticas.

A configuração da eleição oferece uma oportunidade relevante para a ampliação da representação política feminina, já que cada eleitor terá direito a dois votos para o Senado, e os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos, sem a necessidade de segundo turno.

Nomes de destaque em São Paulo, DF e Minas

Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) estão entre os principais nomes femininos na disputa, ambas integrantes do governo Lula antes da campanha eleitoral e com destaque nas pesquisas. Marina, ex-senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente, construiu sua trajetória defendendo o meio ambiente e a sustentabilidade. Simone Tebet, ex-senadora por Mato Grosso do Sul e ex-ministra do Planejamento, tem uma vasta experiência política. A disputa em São Paulo se mostra acirrada, com Marina, Simone Tebet, André do Prado e Guilherme Derrite em empate técnico, conforme pesquisa Datafolha recente.

No Distrito Federal, Erika Kokay e Leila do Vôlei também estão entre as candidatas com apoio de Lula, ambas com históricos ligados a questões sociais. Erika é conhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos e trabalhistas, enquanto Leila, ex-atleta olímpica, foca em pautas relacionadas ao esporte e à proteção de mulheres, crianças e adolescentes. Em Minas Gerais, Marília Campos, com foco nas cidades, e Áurea Carolina, engajada em movimentos sociais e defesa dos direitos de mulheres e grupos sub-representados, disputam as duas vagas.

Presença feminina nacional e a importância dos dois votos

No Rio de Janeiro, Benedita da Silva, com uma extensa carreira política que inclui passagens como vereadora, deputada federal constituinte, senadora, governadora e ministra, concorre com um histórico de luta contra a desigualdade e em defesa das mulheres e da população negra. Monica Benicio também reforça a presença feminina na corrida pelas vagas do estado. O presidente Lula expressou apoio a Benedita em sua passagem pelo Rio, visando fortalecer uma bancada aliada no Congresso.

A presença feminina na disputa pelo Senado não se restringe ao Sudeste e ao Distrito Federal. Pela primeira vez neste ciclo eleitoral, há candidaturas de mulheres ao Senado em todas as unidades da Federação, segundo levantamento da Agência Senado. Nomes como Gleisi Hoffmann no Paraná, Eliziane Gama no Maranhão e Manuela D’Ávila no Rio Grande do Sul exemplificam essa abrangência. Essas candidaturas representam diversas vertentes políticas e disputam espaço em uma Casa que terá um papel crucial na próxima legislatura, com atribuições que incluem a análise de indicações presidenciais para ministros do Supremo Tribunal Federal e o julgamento de autoridades.

Na urna eletrônica, cada eleitor deve escolher dois candidatos diferentes ao Senado, sendo que a ordem dos nomes não altera o valor dos votos. Não é permitido votar duas vezes no mesmo candidato; caso isso ocorra, o segundo voto não será contabilizado para aquele nome. As eleições deste domingo, portanto, não apenas definirão o presidente, governadores e representantes em outras esferas, mas também poderão alterar significativamente a composição do Senado, com o potencial de aumentar a presença feminina em uma das instituições mais importantes da República, dada a disputa por 54 cadeiras e o maior número de mulheres concorrentes em relação a 2022.