A China começou a aplicar uma sobretaxa de 55% sobre a carne bovina brasileira que chega aos seus portos a partir de quinta-feira, 1º de outubro. A medida ocorre porque o Brasil atingiu o limite de exportação estabelecido pela salvaguarda chinesa. Além da nova taxa, o produto ainda está sujeito a uma tarifa de importação de 12%.

O Ministério do Comércio chinês divulgou que o volume permitido foi alcançado na terça-feira, 29 de setembro. Diante dessa situação, o governo brasileiro busca negociar a utilização de cotas não utilizadas por outros países, como o Uruguai, que já sinalizou positivamente. O presidente Lula agradeceu publicamente ao Uruguai pela autorização para usar seu excedente de cota. Contudo, a decisão final para essa transferência de cota ainda depende da aprovação das autoridades chinesas.

Reação do setor e busca por alternativas

Tanto o governo brasileiro quanto o setor produtivo já previam que o teto da cota seria atingido antes do final do ano. O limite anual imposto pela China representa apenas 65% do volume total de carne bovina que o Brasil exportou para o mercado chinês em 2025. Em 2025, a China foi responsável por 48% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil, totalizando 1,68 milhão de toneladas e gerando US$ 8,9 bilhões.

Para minimizar os impactos financeiros, frigoríficos brasileiros têm reduzido a produção, concedendo férias coletivas e promovendo paralisações temporárias. Negociações entre o governo brasileiro e as autoridades de Pequim para mitigar os efeitos da salvaguarda não tiveram sucesso até o momento. A medida chinesa visa proteger as indústrias locais, que alegavam prejuízos com a expansão da carne importada.

Estratégia chinesa e diversificação de mercados

A salvaguarda chinesa permanecerá em vigor até 2028 e afeta vários países exportadores, excetuando apenas nações em desenvolvimento com pequena participação no mercado chinês. Essa imposição de barreiras faz parte de uma estratégia da China para diminuir sua dependência de poucos fornecedores externos, especialmente para produtos essenciais como carne bovina e soja, onde o Brasil é um dos principais fornecedores.

Diante desse cenário, o governo brasileiro e os exportadores estão acelerando a busca por mercados alternativos. Estados Unidos, que enfrentam redução de rebanho e alta demanda interna, e Coreia do Sul são potenciais compradores. Recentemente, o Ministério da Agricultura habilitou 21 novos frigoríficos para exportação à Indonésia, elevando para 73 o número de plantas brasileiras autorizadas a atender esse mercado.