No último sábado, o Brasil e a China firmaram um acordo que revisa o protocolo sanitário bilateral, permitindo a exportação de miúdos suínos brasileiros para o gigante asiático. A expectativa é que essa medida possa gerar uma receita adicional superior a US$ 100 milhões para o setor brasileiro, conforme anunciado pelo Ministério da Agricultura e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O acordo representa uma expansão das categorias de produtos do Brasil com acesso ao mercado chinês, abrindo novas frentes comerciais para as empresas brasileiras habilitadas e diversificando a pauta de exportações. O ministro da Agricultura, André de Paula, destacou a importância do acordo, classificando-o como um “capítulo importante na suinocultura brasileira”, com potencial de acesso a um mercado de mais de US$ 2,5 bilhões anuais, valorizando a produção nacional e gerando mais emprego e renda.
Impacto econômico e oportunidades
A China, sendo a maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, depende de importações para complementar sua demanda interna. A ABPA estima que a nova diretriz de exportação para um mercado com maior valor agregado possa incrementar as receitas do setor em mais de US$ 100 milhões. O anúncio foi feito no encerramento de uma auditoria chinesa em frigoríficos brasileiros, iniciada no dia 20 do mês passado.
Ricardo Santin, presidente da ABPA, ressaltou a relevância do feito para a suinocultura do Brasil. Segundo ele, a complementaridade entre os hábitos de consumo dos dois países otimiza o aproveitamento da carcaça e agrega valor à produção. A ABPA projeta que mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos do Brasil poderão ser direcionadas ao mercado chinês com o novo acesso.
Potencial por estado
Antes do novo protocolo, o acesso do Brasil ao mercado chinês de miúdos era restrito. O estado de Santa Catarina, por exemplo, podia exportar apenas miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, mas não os internos. Com o novo acordo, a ABPA estima que Santa Catarina terá um potencial de destinar 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos para a China. No Rio Grande do Sul, as projeções da ABPA indicam a possibilidade de exportar mais de 40 mil toneladas anuais de miúdos suínos para o mercado chinês, além das oportunidades em carne suína com osso.
Entre 2013 e 2024, o Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para a China, que se consolidou como um dos principais destinos dos embarques brasileiros ao longo dos anos, segundo dados da ABPA.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.