Nesta quarta-feira (23), o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, respondeu ao presidente da Argentina, Javier Milei, após o argentino voltar a criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A resposta foi publicada no X, onde Boulos chamou Milei de "vergonha" e fez referência à venda de carne de burro registrada na Argentina.
Boulos escreveu: "Não, obrigado @JMilei. Ninguém quer comer carne de burro por aqui. Você é uma vergonha para a América Latina e para o bravo povo argentino!". A reação ocorreu depois de Milei afirmar, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, que espera que o Brasil deixe o que chamou de "curso socialista decadente" e volte a adotar as "ideias da liberdade".
Apoio a Flávio Bolsonaro
Milei tem declarado apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil. Em julho, participou do lançamento da candidatura e afirmou que Flávio seria capaz de derrotar Lula. O argentino também defende a aproximação do Brasil ao chamado Escudo das Américas, iniciativa de segurança regional promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Brasil não integra o grupo.
A polêmica da carne de burro
A menção de Boulos remete a um episódio ocorrido em abril, na cidade de Trelew, na província de Chubut, na Patagônia. Um projeto experimental colocou carne de burro à venda por 7.500 pesos argentinos o quilo, valor muito inferior ao da carne bovina, que chegava a custar 18 mil ou 19 mil pesos em alguns estabelecimentos. O primeiro lote foi rapidamente vendido, segundo o jornal argentino La Nación, com quatro animais comercializados em poucos dias.
O projeto foi apresentado como alternativa para propriedades afetadas pela seca, pela perda de rentabilidade da criação de ovinos e pelas dificuldades da pecuária tradicional na região. Especialistas ressaltaram que o consumo de carne de burro continuava sendo pontual, apesar do interesse despertado no debate político argentino.
O novo episódio se soma a uma série de atritos entre Milei e o governo brasileiro. O presidente argentino vem fazendo críticas públicas a Lula e à esquerda, enquanto o Brasil defende uma estratégia própria de segurança, sem aderir ao Escudo das Américas, e ressalta o princípio da soberania nacional nas relações com os vizinhos.






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