O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a aprovação de um financiamento de R$ 180,7 milhões destinado à implantação de duas novas plantas de biometano. Os empreendimentos serão construídos nas cidades de Vila Velha, no Espírito Santo, e Mauá, na Grande São Paulo, com o objetivo de produzir biometano a partir do biogás gerado em aterros sanitários.
Os recursos serão alocados às empresas GNR Vila Velha e GNR Mauá, formadas por uma parceria entre os grupos Lara e MDC Energia. Do montante total aprovado, R$ 78,8 milhões serão direcionados ao projeto capixaba, enquanto R$ 101,9 milhões financiarão a unidade paulista. A soma dos financiamentos do BNDES com os recursos próprios das empresas eleva o investimento total nos dois projetos para R$ 245 milhões.
Impacto e Sustentabilidade
As verbas concedidas têm origem no Fundo Clima e na linha BNDES Finem, ambos instrumentos de apoio a projetos estruturantes e de baixa emissão de carbono. As duas plantas, quando em operação, terão uma capacidade instalada combinada de 97 mil Nm³ de biometano por dia. A unidade de Vila Velha está projetada para produzir 32 mil Nm³/dia, e a planta de Mauá, 65 mil Nm³/dia. Este combustível renovável será gerado a partir da captura do biogás liberado pela decomposição de resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários sob a gestão do Grupo Lara.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que os projetos estão alinhados com a estratégia de transição energética e o fortalecimento da economia circular. Segundo ele, o biometano transforma resíduos em energia renovável e contribui para a redução de gases de efeito estufa ao capturar o metano dos aterros. Além disso, as iniciativas impulsionam uma cadeia produtiva nacional inovadora e aumentam a oferta de combustível sustentável na matriz energética brasileira.
Operação e Benefícios
A previsão é que as unidades iniciem suas operações comerciais no primeiro semestre de 2027. A produção de biometano será comercializada por meio de contratos de longo prazo estabelecidos com a Ultragaz, garantindo a demanda para o combustível gerado. Além dos benefícios ambientais, os projetos prometem a criação de empregos. Estima-se que 575 postos de trabalho diretos e indiretos serão gerados durante a fase de implantação, e mais de 50 empregos permanentes após o início das operações.
O biometano é reconhecido como uma alternativa renovável ao gás natural de origem fóssil, com diversas aplicações energéticas. Nestes projetos financiados pelo BNDES, o aproveitamento de resíduos urbanos não só diminui a liberação de metano na atmosfera, mas também transforma um passivo ambiental em uma fonte valiosa de energia. O Grupo MDC Energia já possui experiência com unidades similares, como a GNR Dois Arcos no Rio de Janeiro, reforçando a estratégia de utilizar aterros sanitários para a produção de combustível renovável em escala comercial.






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