Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos, liderado pelo senador Bernie Sanders e composto por 30 membros democratas da Câmara dos Representantes, enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na última quinta-feira (24). O documento manifesta preocupação com o que descrevem como uma tentativa da gestão de Donald Trump de interferir na eleição presidencial brasileira de outubro.
Entre os signatários da carta estão as deputadas Delia Ramirez, Pramila Jayapal e Alexandria Ocasio-Cortez, além do deputado Jesús “Chuy” García. A iniciativa, originada por Ramirez e contando com a participação de Jayapal e García, aponta para um esforço coordenado da administração Trump em exercer pressão diplomática, econômica e política sobre o Brasil às vésperas do pleito. Os congressistas solicitam que Washington se comprometa explicitamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a reconhecer o resultado certificado pelas autoridades, independentemente do vencedor.
Medidas anteriores e o contexto histórico
A carta faz menção a medidas adotadas pelo governo Trump em 2025, quando os Estados Unidos impuseram tarifas e sanções durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Para os congressistas, essas ações visavam influenciar o processo judicial brasileiro, caracterizando-as como uma violação da soberania do país. O documento ressalta que, apesar de uma diminuição das tensões e contatos diretos entre Lula e Trump, a pressão sobre o Brasil voltou a aumentar.
Os parlamentares inserem os eventos atuais em um contexto histórico mais amplo das relações entre Washington e a América Latina, citando o apoio dos EUA ao golpe militar brasileiro de 1964 e identificando um padrão que, segundo eles, ressurgiu em processos eleitorais recentes na região, como na Argentina, Honduras e Colômbia.
Nomeação e preocupações adicionais
Outro ponto de preocupação levantado é a nomeação de Darren Beattie como conselheiro sênior do Departamento de Estado para assuntos relacionados ao Brasil. A carta descreve Beattie como um extremista de direita e supremacista branco, cujas declarações públicas anteriores demonstrariam hostilidade às instituições democráticas brasileiras. Beattie teve sua entrada no Brasil negada em março, quando tentou visitar Jair Bolsonaro.
O documento também aborda a aproximação da Casa Branca com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os congressistas mencionam um encontro entre Trump e Flávio na Casa Branca, no qual o brasileiro teria solicitado a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Subsequentemente, o governo norte-americano designou as duas facções como terroristas. As autoridades brasileiras expressaram preocupação de que essa designação possa fundamentar medidas extraterritoriais, incluindo sanções financeiras e outras ações contra interesses brasileiros. A carta aponta que ataques militares recentes da administração Trump na região, justificados por supostas ameaças de organizações terroristas estrangeiras, geraram no Brasil receios sobre a possibilidade de ações militares.
Apelo por respeito às urnas
O principal pedido dos congressistas é que o governo Trump se comprometa publicamente a respeitar a soberania brasileira e o resultado das eleições presidenciais. Eles traçam um paralelo com a postura do governo de Joe Biden na eleição brasileira de 2022, quando Washington apoiou abertamente o sistema eleitoral e reconheceu o resultado das urnas. Essa iniciativa coincide com a semana em que Lula, em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, enfatizou a defesa da soberania brasileira e afirmou que o país não aceitará interferências externas em seu processo democrático.






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