A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), candidata ao Senado, alertou sobre o que considera uma possível interferência dos Estados Unidos na política brasileira. Em entrevista à Sputnik Brasil, divulgada nesta quinta-feira (24), a parlamentar enfatizou a defesa da soberania nacional como um tema crucial na campanha. Segundo Benedita, as pressões do governo de Donald Trump e o alinhamento de membros da família Bolsonaro com Washington representam uma ameaça à autonomia do Brasil.

Benedita da Silva criticou as ligações que classificou como antidemocráticas e antidiplomáticas, as quais, segundo ela, buscam apoio de Trump e resultam em ameaças ao Brasil. Essa avaliação política, conforme a deputada, reflete a dinâmica das relações entre a oposição brasileira e o governo norte-americano. Ela também apontou que a eleição brasileira tem implicações que vão além das fronteiras nacionais, dada a relevância política e econômica do país na América Latina.

Soberania e Recursos Estratégicos

A parlamentar vinculou a questão da soberania à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Benedita, o Brasil e a América Latina necessitam de Lula, pois, caso o Brasil se curve aos Estados Unidos, a autonomia da região estaria comprometida. Ela criticou a exibição de bandeiras norte-americanas por apoiadores da oposição e mencionou o risco de interesses dos EUA sobre recursos estratégicos brasileiros, como as terras raras, intensificarem a pressão sobre o país. A soberania sobre esses minerais críticos tem sido um foco de Lula em sua campanha, que defende o aumento da capacidade de processamento e a vinculação da exploração desses recursos à geração de valor, tecnologia e desenvolvimento interno.

As declarações de Benedita da Silva surgem em um momento em que a pauta da interferência externa tem ganhado destaque na campanha presidencial. A deputada percebe a eleição como uma decisão que abrange, além das questões domésticas, a capacidade do Brasil de tomar decisões autônomas, sem subordinação a potências estrangeiras. A preservação da autonomia nacional, para ela, é fundamental para fortalecer a democracia e evitar que pressões externas condicionem as escolhas políticas, econômicas e estratégicas do país. Essa visão está alinhada com a posição de Lula, que em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta semana, reiterou a defesa da soberania brasileira, afirmando que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Autonomia Nacional e Economia

Na entrevista, Benedita também conectou a autonomia nacional a políticas econômicas e industriais. No setor da saúde, por exemplo, defendeu a implantação de um polo de produção de medicamentos, vacinas e insumos hospitalares no Rio de Janeiro. A medida visaria reduzir a dependência brasileira de produtos importados, garantindo independência por meio da matéria-prima nacional. Entre outras prioridades para um possível mandato no Senado, ela citou o fim da escala de trabalho 6x1, o avanço da PEC da Segurança Pública, maior transparência nas emendas parlamentares e políticas de proteção a mulheres, idosos e pessoas com deficiência. Contudo, o ponto central de sua mensagem política permaneceu sendo a defesa da soberania, reforçando a necessidade de o Brasil manter a capacidade de definir seus próprios rumos políticos, econômicos e estratégicos em um cenário internacional de crescente competição entre grandes potências.