O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) anunciou nesta quinta-feira (24) que não irá contestar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que manteve o indeferimento de sua candidatura ao governo do Distrito Federal. Ao informar sua desistência, Arruda teceu elogios públicos a quatro candidatos ao Palácio do Buriti: Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Leandro Grass (PT). Curiosamente, a governadora Celina Leão (PP), sua principal adversária, não foi mencionada entre os elogios, embora não tenha sido declarado apoio a nenhum deles.
Arruda justificou sua decisão após consultar seus advogados, que indicaram a inviabilidade de um recurso capaz de reverter a situação. Ele expressou que prolongar a disputa judicial poderia prejudicar o processo eleitoral no Distrito Federal e fez um apelo para que seus eleitores não votem nele, caso sua imagem ainda apareça nas urnas eletrônicas, pois os votos não seriam validados. O ex-governador afirmou respeitar a decisão do Judiciário, mesmo mantendo a convicção de que sua candidatura estava conforme a legislação.
Decisão do TSE e inelegibilidade
O Tribunal Superior Eleitoral, por 5 votos a 2, confirmou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) que havia negado o registro da candidatura de Arruda. O caso envolve condenações por atos dolosos de improbidade administrativa, decorrentes da Operação Caixa de Pandora. A questão jurídica girou em torno da aplicação da Lei Complementar 219/2025, que alterou regras da Lei da Ficha Limpa e estabeleceu novos critérios para a contagem dos períodos de inelegibilidade.
A defesa de Arruda argumentava que as modificações na lei o tornariam elegível, pois parte das condenações estaria relacionada a fatos conexos. Contudo, o entendimento majoritário foi de que ainda persistia uma causa de inelegibilidade suficiente para impedir o registro. Segundo o TSE, Arruda acumula sete condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa, envolvendo danos ao erário e enriquecimento ilícito.
Impacto na corrida eleitoral
A saída definitiva de Arruda adiciona uma nova dinâmica à reta final da eleição no Distrito Federal. O ex-governador não indicou para qual candidato seus votos deveriam migrar, recomendando que seus apoiadores escolham, conforme suas próprias convicções, quem consideram mais apto a governar Brasília. Ao elogiar nominalmente os quatro candidatos, Arruda estabeleceu uma distinção política clara em relação a Celina Leão, a única entre os principais nomes que não recebeu sua manifestação positiva. Celina, por sua vez, já manifestou o interesse em conquistar esse eleitorado.






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