A Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão estão organizando um encontro emergencial de seus comandantes militares. O objetivo da reunião é debater formas de oferecer suporte ao governo saudita diante dos recentes ataques perpetrados pelos houthis, provenientes do Iêmen. A iniciativa foi anunciada após uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores dos três países em Nova York, na última quinta-feira (24). A data e o local exatos do encontro militar ainda não foram divulgados.

Esta ação ocorre sob o amparo do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, que estabelece que um ataque a qualquer um dos signatários é considerado uma agressão contra todos. Os chanceleres, durante seu encontro, expressaram condenação aos ataques dirigidos a áreas civis sauditas, incluindo Meca, e reafirmaram o direito da Arábia Saudita de se defender. O comunicado, no entanto, não detalha o tipo de assistência que será discutida pelos líderes militares.

Intensificação dos Conflitos

O pacto de defesa, assinado em 7 de agosto, expandiu a cooperação militar entre as três nações. Ministros e comandantes já haviam se reunido em Istambul em 31 de agosto para iniciar a estruturação do acordo, que incluiu a criação de uma secretaria na Arábia Saudita. A reunião agora planejada acontece em um contexto de ataques crescentes contra o território saudita e de uma escalada nos confrontos no Iêmen.

Na quinta-feira, autoridades sauditas informaram ter interceptado seis mísseis balísticos que se dirigiam a Taif e Yanbu, esta última uma cidade portuária estratégica para o escoamento de petróleo no Mar Vermelho. Alertas de emergência foram emitidos para regiões como Meca e Jeddah. Por sua vez, os houthis reivindicaram ataques com mísseis e drones contra alvos sauditas, incluindo instalações da petrolífera Aramco em Yanbu, embora as alegações sobre os alvos atingidos não tenham sido verificadas de forma independente.

Impacto Regional e Crise Humanitária

A escalada dos combates não se restringe à fronteira saudita. No Iêmen, forças leais ao governo internacionalmente reconhecido enfrentam os houthis em diversas frentes. Um levantamento apontou que ao menos 150 combatentes morreram nas 24 horas que antecederam a sexta-feira (25), sendo 98 das forças governistas e 52 do grupo houthi. Os confrontos se concentraram em áreas como as montanhas de Kahboub e entre Lahj e Taiz.

Os avanços dos houthis na costa iemenita do Mar Vermelho, com a tomada de cidades como Mocha e ilhas estratégicas, geram preocupações sobre a segurança do estreito de Bab al-Mandeb, uma rota vital para o comércio global. Esses ataques têm impactado o tráfego marítimo e as exportações de petróleo sauditas. A retomada dos combates agrava a já severa crise humanitária no Iêmen, com mais de 230 mil pessoas deslocadas desde o início de setembro, somando-se a um contingente de cerca de 5,2 milhões de deslocados internos já existentes no país.