O governo dos Estados Unidos planeja instalar duas bases militares na Groenlândia, uma no sul e outra na costa leste do território. A informação foi divulgada pela agência Reuters, com base em três fontes anônimas familiarizadas com as negociações. O acordo envolvendo Washington, Dinamarca e o governo groenlandês deve ser assinado nesta terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, às 10h30 no horário local (11h30 em Brasília).

Segundo as fontes, os locais escolhidos são Narsarsuaq, no sul, e Mestersvig, na costa leste. A primeira instalação representaria a retomada de uma base americana da época da Guerra Fria, que funcionou até a década de 1950. A segunda ficaria em um posto militar atualmente usado pela Patrulha Sirius, unidade dinamarquesa que opera com trenós puxados por cães. O texto do acordo ainda não foi divulgado, e os detalhes devem ser finalizados somente após a formalização.

Reações e contexto

A Casa Branca não confirmou os detalhes sobre as duas bases. Um porta-voz reiterou que a assinatura do entendimento "garantiria e defenderia a segurança da Groenlândia e dos Estados Unidos". Os governos dinamarquês e groenlandês não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da agência.

Para a Dinamarca, o acordo transfere a responsabilidade pela segurança do Ártico à Otan, ampliando o papel da aliança militar em uma questão que, de outra forma, seria tratada apenas entre americanos e dinamarqueses. As negociações ocorreram em meio às pressões de Donald Trump, que já ameaçou usar força militar ou medidas econômicas para controlar a ilha. Pesquisas de opinião citadas pela Reuters mostram que a maioria dos groenlandeses rejeita essa possibilidade.

A abertura das instalações ampliaria a presença militar americana, que já foi bem maior durante a Guerra Fria, com 17 bases e mais de 10 mil militares na Groenlândia. Atualmente, resta apenas a Base Espacial de Pituffik, com cerca de 150 militares americanos.