247 – O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller, inaugurou oficialmente o escritório permanente da Agência para a África, em cerimônia realizada em Adis Abeba, Etiópia, nesta quarta-feira (2). A criação do Escritório, que tem em Adis sua sede, segue uma proposta da Comissão de Investimentos da Etiópia, formalizada após a missão empresarial da ApexBrasil à Etiópia em fevereiro de 2026. O novo escritório tem como objetivo consolidar os resultados da missão e fornecer uma plataforma permanente para a expansão da cooperação em comércio e investimentos entre os dois países, a África Oriental e o continente como um todo, valendo-se da posição geoestratégica da Etiópia. O internacionalista George Okechukwu Maha, funcionário de carreira da ApexBrasil, com profundo conhecimento do continente africano, será o representante do Escritório da ApexBrasil para a África.
A iniciativa dá sequência a uma aproximação de alto nível: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Etiópia em 2024, e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, visitou o Brasil em 2025. Apesar desses laços estreitos e de uma população combinada de mais de 300 milhões de pessoas, os fluxos de comércio e investimento entre os dois países permanecem modestos em relação ao seu potencial.
Adis Abeba abriga a sede da União Africana e se consolidou como um dos principais centros diplomáticos e políticos do continente, e a Etiópia, com cerca de 135 milhões de habitantes, é o segundo país mais populoso da África e uma das economias de maior relevância da África Oriental. Nesse contexto, o mercado etíope apresenta oportunidades crescentes para produtos brasileiros, especialmente nos segmentos de máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos, materiais de construção, alimentos e bens manufaturados. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 59 oportunidades de exportação para o país, além da atuação de um projeto setorial voltado ao segmento de etanol de cana-de-açúcar.
Apesar desse potencial de diversificação, a pauta exportadora brasileira para a Etiópia permanece altamente concentrada. Atualmente, 97,4% das exportações do Brasil para o país consistem em óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos), de acordo com dados da ApexBrasil. Ainda assim, o Brasil possui um superávit comercial considerável com a Etiópia, conforme demonstra o gráfico abaixo:

Gráfico: ApexBrasil
A inauguração do Escritório encerrou a missão mais ampla da ApexBrasil ao continente africano, que também passou nas últimas semanas por Angola, África do Sul, Zâmbia e Moçambique, em uma agenda de fortalecimento da cooperação com os países e de diversificação da pauta exportadora brasileira para tais países da África Austral. Com o escritório novo, a projeção é ainda maior, alcançando todo o continente, o que ganha especial relevância diante do cenário de fragmentação comercial global provocado pelo tarifaço unilateral dos Estados Unidos contra o Brasil, e seguindo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de aprofundar as relações com o continente africano como um todo.
Declarações do evento
Embaixador do Brasil na Etiópia, Jandyr Ferreira dos Santos
O embaixador ressaltou o significado histórico e a ambição por trás da nova sede, destacando que a inauguração simboliza uma evolução substancial no relacionamento bilateral e estabelece as metas para o futuro da cooperação:
“A ocasião representa muito mais que a abertura de um novo escritório. Hoje, estamos inaugurando um novo capítulo da relação econômica entre Brasil e Etiópia. O estabelecimento de um novo escritório da ApexBrasil em Adis Abeba e tanto um reflexo do quanto nossa relação bilateral evoluiu, como também uma expressão da nossa ambição sobre onde queremos chegar”.
Ao tratar do formato desse engajamento, a diplomacia brasileira reforçou a necessidade de estabilidade no diálogo econômico, sublinhando que as ações comerciais precisam de continuidade:
“Brasil e Etiópia reconheceram que o impulso gerado pelas iniciativas recentes no âmbito das relações comerciais não deve ser temporário, e sim transformado em uma plataforma permanente em prol da nossa cooperação”.
Sobre a convergência multilateral, Jandyr Ferreira dos Santos lembrou a atuação conjunta dos dois países no bloco dos BRICS e o respaldo do Brasil à inserção etíope no comércio global, como a adesão à OMC:
“Nossa relação se tornou mais ampla e cada vez mais ampla e contínua. Também somos parceiros no BRICS. O Brasil também tem apoiado fortemente uma maior integração da Etiópia na economia global, o que inclui nosso apoio ao processo de adesão etíope na Organização Mundial do Comércio. Acreditamos que uma Etiópia mais forte, mais próspera e mais integrada internacionalmente é positivo para a Etiópia, positivo para a África e positivo para o Brasil”.
O embaixador compartilhou suas observações diretas sobre o ambiente econômico local, salientando o dinamismo e o empenho do setor produtivo etíope:
“Tive a oportunidade de testemunhar pessoalmente o notável crescimento e a profunda transformação pelos quais a Etiópia vem passando. O ritmo da transformação é de fato impressionante, e é evidente que as empresas etíopes estão comprometidas em acelerar o crescimento econômico e em avançar na transformação econômica do país”.
O papel fundamental da ApexBrasil na aproximação direta entre os atores privados de ambas as nações também foi detalhado pela representação diplomática:
“A diplomacia pode criar oportunidades, governos podem estabelecer arcabouços e acordos podem aproximar nossos países, mas se quisermos construir uma relação econômica verdadeiramente madura, nossas empresas, investidores e empreendedores também precisam se aproximar. É exatamente neste ponto que a ApexBrasil pode fazer a diferença. A presença permanente em Adis Abeba tem o potencial para se tornar um divisor de águas para as relações econômicas brasileiras”.
Explicando o funcionamento prático da unidade, destacou-se a oferta de inteligência de mercado e suporte bilateral para empresários brasileiros e etíopes:
“O Escritório oferecerá a empresas brasileiras uma nova plataforma, através da qual poderão entender melhor os mercados etíopes, identificar parceiros, acessar inteligência de mercado e desenvolver oportunidades concretas de comércio e investimento. Ao mesmo tempo, empresas etíopes poderão aprender mais sobre o Brasil e identificar oportunidades em uma das maiores economias do mundo”.
O embaixador fundamentou a escolha da capital etíope como centro estratégico para alcance regional, citando setores produtivos prioritários:
“Adis Abeba foi a escolha natural para este novo Escritório. A Etiópia é um dos maiores mercados africanos, ocupa uma posição estratégica na África Oriental e Adis Abeba é a capital diplomática da África. Daqui, a ApexBrasil estará bem posicionada para não somente aprofundar sua interação com a Etiópia, como também para explorar oportunidades por toda a África Oriental e os mercados africanos mais amplamente. As possibilidades são consideráveis. Para mencionar algumas: agricultura e agronegócio, aviação, produtos farmacêuticos infraestrutura, energia renovável, e muito mais”.
Ao tratar do valor intrínseco de uma estrutura fixa, enfatizou-se a diferença entre visitas pontuais e o trabalho constante gerador de empregos e projetos:
“O estabelecimento do Escritório também nos permitirá perseguir essas oportunidades de forma mais sistemática e contínua. Missões empresariais são importantes. Visitas de alto nível são essenciais. Mas uma presença permanente cria algo distinto: continuidade. Buscamos que as relações sejam construídas a cada dia, que oportunidades sejam forjadas do começo ao fim, e que boas ideias sejam transformadas em projetos, investimentos e empregos”.
A visão de longo prazo sobre o evento foi expressa ao apontar o marco institucional firmado na cerimônia:
“No futuro, não devemos simplesmente nos lembrar do dia de hoje como o dia em que a ApexBrasil abriu um escritório em Adis. Devemos nos lembrar como o momento em que Brasil e Etiópia decidiram dar à sua relação econômica a plataforma institucional necessária para alcançar um novo nível”.
Finalizando suas considerações, o diplomata desejou que o espaço funcione como ponte e símbolo do fortalecimento mútuo:
“Que este Escritório torne-se uma ponte entre empresas brasileiras e etíopes. Uma plataforma conectando Brasil e África, e um símbolo duradouro de um novo capítulo que abrimos, hoje, na amizade e parceria econômica entre nossos dois países”.
Diretor-geral para Europa e Américas do Ministério de Relações Exteriores da Etiópia, Meles Alem
O representante da chancelaria etíope iniciou sua intervenção destacando a simbologia do clima durante a recepção à comitiva brasileira:
“Nesta tarde verdadeiramente histórica. Nós os recebemos com chuva. Tradicionalmente, dizemos que isso é um sinal de bênção. A chuva trouxe essa bênção, que é a ApexBrasil”.
Meles Alem valorizou o esforço técnico e diplomático prévio das equipes de ambos os governos que culminou na instalação do escritório:
“A sua visita representa o ápice de meses de trabalho dedicado entre as nossas equipes em Brasília e Adis, transformando a forte vontade política e compromissos em uma presença tangível para o benefício dos nossos cidadãos”.
O diretor-geral relembrou o encontro entre os Chefes de Estado no Rio de Janeiro como divisor de águas político para a concretização dessa presença comercial:
“O anúncio da abertura do escritório regional da Apex é o resultado de uma reunião produtiva entre o meu Primeiro-Ministro, Dr. Abiy Ahmed, e o Presidente do Brasil, Presidente Lula da Silva, durante a reunião no Rio em julho de 2025. Nossos dois líderes concordaram em consolidar nossos laços econômicos e destravar todo o potencial de nossas relações. O estabelecimento da presença permanente da Apex na Etiópia, o qual o embaixador chamou de uma decisão natural, marca a abertura de um novo capítulo e uma nova era na parceria econômica entre a Etiópia e o Brasil, que estão geograficamente distantes, mas sentimentalmente próximos e unidos”.
O diplomata etíope expressou sua confiança na utilidade da nova estrutura para alavancar negócios do setor privado:
“É, portanto, minha convicção que o escritório da Apex servirá como uma plataforma para fortalecer ainda mais os laços de comércio e investimento, facilitar parcerias empresariais e promover engajamentos significativos e concretos entre empresários e empresárias etíopes”.
Ao assinalar a comemoração das quase oito décadas de laços diplomáticos formais, Meles Alem enfatizou o papel do BRICS na coordenação global:
“Hoje, o estabelecimento do escritório da ApexBrasil vai acelerar o momento promissor dos últimos meses em uma presença permanente e operacional em Adis Abeba, demonstrando o firme compromisso do governo do Brasil em aprofundar ainda mais sua parceria com a Etiópia e, assim, a partir daqui, com toda a África. Excelências, senhoras e senhores, este ano, a Etiópia e o Brasil celebrarão em breve 75 anos de relações diplomáticas. 75 anos não é um mero número. Nossa condição compartilhada de membros do BRICS eleva esta parceria histórica a um patamar novo e mais alto, permitindo-nos coordenar ações em questões globais de interesse mútuo”.
Foi ressaltado pelo diplomata que a abertura da representação física é a forma ideal de celebrar o aniversário da diplomacia bilateral:
“Abrir este escritório é a melhor maneira de celebrar estas relações diplomáticas entre a Etiópia e o Brasil, que transcendem gerações. A sua decisão de abrir o escritório da Apex África em Adis Abeba é uma decisão certa e estratégica”.
O representante etíope apresentou os fatores operacionais e logísticos que tornam Adis Abeba uma escolha acertada para os investimentos do Brasil:
“Por que é a decisão certa? Primeiro, como disse Sua Excelência o Embaixador, Adis é o centro político da África. É também o hub de aviação do continente. Segundo, o voo direto da Ethiopian Airlines para São Paulo é uma vantagem única para facilitar a comunicação e o transporte. Terceiro, a Etiópia oferece a porta de entrada perfeita para a Área de Livre Comércio Continental Africana, garantindo às indústrias brasileiras acesso a mais de 1,4 bilhão de consumidores”.
Meles Alem reiterou o ambiente de reformas econômicas promovido pelo governo etíope e convidou ativamente o empresariado brasileiro a investir no país:
“Acima de tudo, graças à liderança do meu Primeiro-Ministro, Dr. Abiy Ahmed, a Etiópia está se abrindo para os negócios mais do que em qualquer outro momento de sua história, criando um ambiente de negócios favorável para o setor privado. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para convidar as empresas brasileiras a investirem na Etiópia. Permitam-me reafirmar que o Ministério dos Negócios Estrangeiros e todas as agências relevantes darão o apoio necessário para a operacionalização plena e tempestiva deste escritório regional”.
Em um momento descontraído, o diretor-geral teceu elogios ao desempenho da diplomacia brasileira usando referências ao futebol:
“Excelência, garanto-lhe nosso compromisso total e inabalável de trabalhar estreitamente com os senhores no objetivo de aprofundar nossos laços econômicos. E Excelência, permita-me expressar meus sinceros agradecimentos ao noivo do dia, Embaixador Ferreira, por jogar como Pelé, Zico, Ronaldo, Rivaldo nos campos diplomáticos de Adis Abeba. Às vezes discordamos do Embaixador Ferreira, pois ele diz que a seleção brasileira de 1982 é a melhor”.
O diplomata prosseguiu a metáfora esportiva para reforçar a convergência de interesses econômicos entre ambos os países:
“Mas para mim é a seleção de 2002, composta por Ronaldos e Rivaldos, a melhor equipe. Mas concordamos em uma coisa: Brasil e Etiópia têm que fazer negócios. A ApexBrasil é o ápice deste mundo, de qualquer forma. De fato, além de outros empreendimentos comerciais, Etiópia e Brasil precisam usar o esporte como um veículo para a prosperidade. Ambos temos nossa própria vantagem comparativa”.
Meles Alem destacou os pontos fortes de cada nação nos esportes como ponte para intercâmbio mútuo e prosperidade:
“A Etiópia é a terra do atletismo. O Brasil é a alma e o coração do futebol. Podemos aprender um com o outro. Embaixador, ambos temos essa oportunidade. Vamos trabalhar nisso juntos”.
Encerrando essa etapa de sua fala, o diretor-geral ressaltou a abertura de uma nova fase de cooperação econômica pragmática:
“Em conclusão, ao abrirem o escritório da Apex hoje, estamos lançando uma nova era de cooperação brasileiro-etíope, demonstrando novamente ao mundo que a Etiópia está aberta para negócios, estivemos falando sério sobre negócios”.
Em nova citação gravada durante o evento, reforçou-se a utilização do esporte como alavanca de desenvolvimento:
“”No Brasil, eles têm que usar o esporte como um veículo para a prosperidade. Ambos temos nossa vantagem comparativa. A Etiópia é a terra do atletismo. O Brasil é a alma e o coração do futebol. Podemos aprender muito um com o outro. Embaixador, ambos temos essa oportunidade. Vamos trabalhar nisso juntos”.
Em suas palavras finais, Meles Alem desejou êxito à comitiva e enfatizou a aceleração das mudanças históricas em seu país:
“Em conclusão, ao abrirem o escritório da Apex hoje, estamos lançando uma nova era de cooperação brasileiro-etíope, demonstrando novamente ao mundo que a Etiópia está aberta para negócios. Estamos falando sério sobre negócios. Desejo a vocês uma cerimônia de inauguração muito produtiva e uma estadia proveitosa na Etiópia, que está mudando dramaticamente e vivenciando toda a sua história. Obrigado. Muito obrigado”.
Comissário da Comissão de Investimentos da Etiópia, Zeleke Temesgen
O comissário iniciou destacando os princípios da cooperação Sul-Sul e a relevância estratégica da aliança entre as duas economias regionais:
“A Etiópia valoriza profundamente sua duradoura amizade com o Brasil. Uma amizade fundada no respeito mútuo, em ambições compartilhadas e em um compromisso duradouro com a cooperação Sul-Sul e o progresso multilateral. O dia de hoje marca um marco histórico em nossas relações econômicas e comerciais bilaterais, ao celebrarmos a abertura oficial da ApexBrasil em Adis Abeba. Este momento representa mais do que apenas uma cerimônia diplomática. Marca o início de um alinhamento estratégico dinâmico entre duas das economias mais vibrantes em suas respectivas regiões”.
Zeleke Temesgen analisou a solidez da economia brasileira e apresentou o plano de reformas econômicas em andamento na Etiópia:
“O Brasil continua a demonstrar uma notável força macroeconômica e resiliência industrial, impulsionando avanços sociais e econômicos fundamentais, geração de empregos e crescimento sustentável nos setores do agronegócio, energia e manufatura de alto valor agregado. Simultaneamente, o governo da Etiópia está realizando profundas reformas econômicas e estruturais. Sob a nossa Agenda de Reformas Econômicas Domésticas, estabelecemos taxas de câmbio determinadas pelo mercado, modernizamos nossa estrutura monetária, fortalecemos a resiliência do nosso setor financeiro e removemos gargalos distorcidos do mercado. Essas ações arrojadas do governo produziram fortes resultados. A inflação está caindo, a disponibilidade de divisas está se expandindo, a confiança dos investidores está aumentando e o nosso mercado interno se abriu ao capital global como nunca antes”.
O papel do BRICS como catalisador de valor econômico e industrialização conjunta foi abordado em detalhe pelo representante etíope:
“Nossa condição compartilhada de membros do BRICS cria um horizonte estratégico sem precedentes. Oferece uma estrutura única para converter o alinhamento diplomático em valor econômico tangível, facilitando o aumento do comércio e incentivando investimentos em projetos de industrialização conjunta. Nesse contexto, a abertura da ApexBrasil em Adis Abeba oferece a ponte inicial essencial de que nossos mercados necessitam. É também um novo capítulo em nossa relação”.
A superação de barreiras informacionais e o acesso facilitado ao mercado continental africano foram apontados como benefícios da nova sede:
“Ao fixar suas operações regionais aqui em Adis Abeba, a ApexBrasil desmantela diretamente as barreiras de informação para potenciais investidores, fornece inteligência de mercado localizada e otimiza a aproximação direta entre empresas (B2B). Além disso, essa presença posiciona as empresas brasileiras para alavancarem a Etiópia como um centro operacional estratégico para acessar a ampla Área de Livre Comércio Continental Africana”.
O comissário discriminou os setores onde a parceria produtivo-tecnológica possui maior potencial, com foco no agronegócio e na indústria:
“Para começar, trata-se do agronegócio comercial. Buscamos unir o know-how brasileiro e a expertise agrícola impulsionada pela tecnologia ao vasto potencial fértil da Etiópia para café, sementes oleaginosas, pecuária e agronegócio moderno. Com base nessa fundação, no âmbito da manufatura industrial, nosso objetivo é expandir a agregação de alto valor nos setores têxtil, de vestuário, couro e importações de bens de consumo essenciais”.
Em seguida, foram detalhadas as metas de transição energética e investimentos em logística e infraestrutura:
“Simultaneamente, visamos acelerar a transição para a energia verde por meio de investimentos colaborativos em bioenergia, energia solar e tecnologias limpas. Complementando esse esforço, focaremos fortemente em logística, transporte e infraestrutura de facilitação do comércio, garantindo cadeias de suprimento transfronteiriças fluidas”.
O suporte institucional e o fomento à transferência tecnológica aos investidores foram reafirmados por Zeleke Temesgen:
“Em última análise, estamos comprometidos em impulsionar a transferência de tecnologia, a transformação de habilidades e a capacidade industrial especializada para garantir um suporte pós-investimento excepcional”.
O comissário concluiu sua fala oferecendo total respaldo institucional às corporações brasileiras interessadas no mercado local:
“Nosso mandato é bastante claro. Nosso mandato é atuar para traduzir estratégias em projetos bancáveis e de alto impacto. A Comissão de Investimento da Etiópia e o governo etíope estão totalmente preparados para oferecer apoio dedicado e completo a cada empresa brasileira que se expandir para o nosso mercado interno. Aos nossos parceiros e amigos do Brasil, mais uma vez, gostaria de dizer: bem-vindos à Etiópia. Estamos ansiosos para construir juntos um futuro próspero, resiliente e transformador. Muito obrigado”.
Presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller
O presidente da ApexBrasil iniciou sua exposição apresentando o escopo de atuação global da agência e a estrutura de fomento às exportações:
“Este é um momento muito especial para a ApexBrasil, ao iniciarmos uma nova era de nossa parceria com a África e, especialmente, com a Etiópia. A ApexBrasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, é responsável por promover empresas e cooperativas brasileiras em todo o mundo. E fazemos isso em parceria com o setor privado. Atualmente, temos parceria com 58 setores da economia brasileira para conectar os negócios do Brasil aos mercados internacionais. Organizamos mais de 1.000 eventos por ano, incluindo missões comerciais, rodadas de negócios e feiras internacionais. E temos uma rede de 14 escritórios pelo mundo”.
Laudemir Müller rememorou a trajetória do comércio bilateral com o continente africano e a reorientação geopolítica iniciada em 2023:
“A abertura de uma nova unidade é o que nos traz aqui. E não se trata de uma simples abertura de um escritório. É a abertura de um novo capítulo. Estamos anunciando nosso primeiro escritório na África. Um passo muito especial e importante para a ApexBrasil e para o Brasil. Quando o presidente Lula retornou ao poder em 2023, ele colocou a África de volta ao centro da estratégia internacional brasileira. Historicamente, em todos os seus mandatos, o presidente colocou a África no centro da nossa agenda. Vimos o resultado prático disso no grande salto do nosso comércio, que passou de cerca de US$ 5 bilhões em 2002 para US$ 28 bilhões em 2013”.
O presidente da agência abordou a perda de espaço comercial sofrida pelo Brasil nos anos anteriores e a recuperação recente das trocas bilaterais com o continente africano:
“Mas não podemos negar que o Brasil perdeu um espaço significativo na última década. O nosso comércio caiu para uma mínima crítica de US$ 11,5 bilhões em 2020. Sob o atual governo, estamos fazendo um esforço vigoroso para nos recuperar. Em 2025, já atingimos US$ 25 bilhões no comércio total. Um progresso claro, mas ainda abaixo do nosso verdadeiro potencial”.
Em uma análise sobre a dinâmica demográfica e geopolítica, Müller comparou as limitações do Velho Mundo ao potencial jovem e produtivo da África e do Brasil:
“E por que a África é uma prioridade? Por que a África é tão importante para o Brasil? Primeiro, devido aos profundos laços culturais que nos unem. O Brasil tem a maior população de origem africana fora da África. Também porque o Brasil e os países africanos são, hoje, essenciais para lidar com os desafios globais. Enquanto o velho mundo enfrenta uma crise demográfica, a África vibra com uma população jovem e dinâmica. Em 2050, a população mundial chegará a 10 bilhões, e um quarto dela estará na África. O continente possui cerca de 60% das terras aráveis do mundo, e o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do planeta, tornando-nos a resposta natural para a segurança alimentar global. O Brasil e a África possuem também grandes reservas de minerais críticos, essenciais para a transição energética e para a transformação industrial”.
Foram apresentados dados do trabalho recente da agência, englobando o apoio a centenas de empresas brasileiras no continente africano:
“Nesse contexto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, ApexBrasil, tem ajudado a aprofundar nossa cooperação econômica. Desde 2023, realizamos mais de 100 iniciativas comerciais na África em 20 países. Os resultados desse esforço são expressivos. Em 2025, mais de 1.000 empresas apoiadas pela ApexBrasil exportaram para um país africano. Apenas no ano passado, 200 novas empresas começaram a exportar para a África com o apoio da Apex, e 600 começaram a exportar para um novo destino dentro do continente. E agora, abrimos um novo capítulo com o anúncio do primeiro escritório da Apex para a região aqui na Etiópia, aqui em Adis Abeba”.
Laudemir Müller listou os indicadores econômicos e estratégicos que justificam a escolha da Etiópia como sede regional:
“E por que a Etiópia? O país apresenta um alto crescimento econômico, com expectativa de atingir 9% este ano. Possui a segunda maior população da África, com mais de 130 milhões de pessoas. Importa mais de US$ 23 bilhões. Tornou-se membro do BRICS. É um hub logístico para a África e para o Oriente Médio, e o Brasil quer fazer parte disso”.
O executivo explicou os objetivos centrais da nova unidade, englobando coordenação, alianças institucionais e trabalho integrado com a diplomacia:
“E por que e qual é o nosso objetivo com este escritório? Qual é a nossa meta? O que queremos com este escritório? Coordenar todas as nossas ações para o continente, construir uma rede de parcerias, definir prioridades claras para o nosso trabalho em cada região, trabalhar em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores e com as instituições brasileiras presentes aqui, como o adido agrícola em Pretória, a Agência Brasileira de Cooperação e outras entidades”.
Ao encerrar o evento, o presidente da ApexBrasil reforçou a necessidade de atuação conjunta para a consolidação desta nova fase de cooperação:
“Isso é muito importante para nós. Este trabalho da Apex de promover a cooperação econômica e empresarial não é um trabalho que possamos fazer sozinhos. Precisamos estar juntos para expandir nossas conexões, e espero que possamos construir este novo capítulo juntos. Muito obrigado”.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.