A possibilidade de os votos destinados ao candidato Anthony Garotinho (Republicanos) serem anulados pode levar Eduardo Paes (PSD) à vitória no primeiro turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro. A situação ganhou relevância após uma determinação do ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabeleceu que os votos de Garotinho sejam computados como “anulados sub judice”.

A decisão do ministro se baseia no indeferimento da candidatura de Garotinho pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) em 11 de setembro. O TRE-RJ indeferiu a candidatura por unanimidade, citando condenação por improbidade administrativa dolosa. Apesar de seu nome ainda constar nas urnas e de um recurso pendente de julgamento no TSE, a medida provisória do ministro Marques impacta diretamente o cálculo dos votos válidos, essenciais para a definição do pleito no primeiro turno.

Impacto nas pesquisas e a matemática eleitoral

As últimas pesquisas eleitorais indicam o potencial de mudança no cenário com a anulação dos votos de Garotinho. O Datafolha, divulgado nesta quinta-feira (2), mostra Eduardo Paes com 42% dos votos totais. Considerando apenas os votos válidos, com Garotinho na disputa, Paes alcançaria 47%, enquanto Douglas Ruas (PL) teria 35%. No entanto, para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de mais da metade dos votos válidos.

Outros levantamentos reforçam essa tendência. Uma pesquisa do Paraná Pesquisas, divulgada na sexta-feira, apontou Paes com 47,9% dos votos válidos com Garotinho incluído. Sem ele, Paes subiria para 52%, percentual suficiente para a vitória. Cálculos baseados em pesquisa da Quaest, divulgados pela Agenda do Poder, indicam que a retirada dos votos de Garotinho levaria Paes a 54,83% dos votos válidos, contra 40,32% de Douglas Ruas. Esses números mostram o peso que a decisão jurídica tem na reta final da campanha.

Paes e a expectativa de definição no domingo

Eduardo Paes já manifestou publicamente que a situação de Garotinho pode ser decisiva para um desfecho no primeiro turno. Em agenda na Baixada Fluminense, o candidato afirmou que as pesquisas apontam para essa possibilidade, caso os votos do ex-governador não sejam considerados válidos. Paes também expressou confiança na Justiça Eleitoral para uma definição clara do caso.

A Baixada Fluminense, com aproximadamente 3 milhões de eleitores, foi palco de importantes movimentações na reta final da campanha de Paes. Em Nova Iguaçu, o candidato recebeu apoio de lideranças locais e da prefeita de Belford Roxo, Mariana Canella, reforçando sua base na região. Em seus discursos, Paes prometeu parcerias com os municípios e investimentos em áreas como segurança pública, mobilidade e prevenção de enchentes.

Com a situação jurídica de Garotinho, que tem entre 7% e 9% das intenções de voto em diferentes pesquisas, a exclusão de seus votos da contagem de votos válidos pode ser o fator crucial para Paes ultrapassar a marca dos 50% e garantir a vitória para o governo do Rio de Janeiro já no domingo.