A volta de André Vargas (PT) ao Congresso Nacional é certa. A dois dias da eleição, o ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados chega ao fim da campanha com salões lotados, carreatas tomando as ruas do Norte do Paraná e a militância mobilizada como não se via há muito tempo. Tudo aponta para uma votação expressiva no domingo (4), à altura de quem, em 2010, saiu das urnas com 151.769 votos, como o terceiro deputado federal mais votado do estado, lembrado em 380 dos 399 municípios paranaenses.
Não é só uma candidatura. É o retorno de um dos parlamentares que mais entregaram para o Paraná e, para a esquerda brasileira, o acerto de contas com uma das maiores injustiças da política recente.

O deputado do Minha Casa, Minha Vida
André Vargas foi o relator do Minha Casa, Minha Vida na Câmara dos Deputados, o maior programa habitacional da história do Brasil. É um dos responsáveis diretos pelo sucesso do programa que deu chave e escritura a milhões de famílias. Só no Paraná, foram mais de 200 mil moradias viabilizadas no período em que ele esteve em Brasília, segundo o balanço do mandato.
Ele sabia do que estava falando. Antes de ser deputado, foi diretor social da COHAB de Londrina, onde regularizou 4.100 lotes em bairros como União da Vitória, Santa Fé e João Turquino, levando água, luz e escritura a quem vivia esquecido, e ergueu 700 casas em mutirão. Antes ainda, passou dez anos na assistência social, à frente da entidade que mantém o Albergue Noturno de Londrina. A moradia, para ele, nunca foi discurso de palanque: foi trabalho de uma vida.
O homem que trouxe os Institutos Federais para o Paraná
Se hoje um jovem do interior do Paraná pode fazer curso técnico e faculdade pública sem sair da sua região, tem a mão de André Vargas nisso. Foi ele quem articulou a implantação do Instituto Federal do Paraná (IFPR), que levou ensino técnico e superior gratuito a 26 municípios do estado. Somam-se a isso a relatoria do ProJovem, os hospitais regionais e o destravamento de obras do PAC, como os contornos Norte e Leste.

A primeira vítima do golpe
Para a esquerda brasileira, a história é conhecida, e precisa ser contada do começo. Em 2014, André Vargas era o primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados e o nome natural para presidir a Casa a partir de 2015. E é o presidente da Câmara quem decide se um pedido de impeachment anda ou vai para a gaveta. Com Vargas naquela cadeira, o golpe contra Dilma Rousseff era inviável.
Era preciso tirá-lo do caminho. E tiraram. Em dezembro de 2014, no auge do espetáculo da Lava Jato, Vargas teve o mandato cassado. Depois, foi condenado por Sergio Moro, o juiz que o Supremo Tribunal Federal mais tarde declarou parcial ao julgar Lula e que largou a toga para ser ministro de Bolsonaro.
Sem Vargas, a presidência da Câmara caiu nas mãos de Eduardo Cunha, que derrotou o PT em 2015 e, no fim daquele ano, abriu o processo de impeachment. O resto o país viveu na pele: o golpe de 2016, o governo Temer, a prisão de Lula e o surgimento do bolsonarismo. Os mesmos que derrubaram Dilma foram os que, antes, precisaram derrubar André Vargas.

Por isso ele é hoje um símbolo. Lula voltou. A Lava Jato foi desmontada pelo Supremo. Falta devolver ao Congresso o homem que os golpistas tiraram de lá. Para a militância, o voto em André Vargas no domingo é mais do que um voto: é reparação histórica.
O voto da esquerda no Norte do Paraná
André Vargas é a candidatura da esquerda a deputado federal no Norte do Paraná, a única da região com condições reais de chegar a Brasília. O campo progressista tem muito voto ali: em 2022, a chapa do PT fez 112 mil votos para deputado federal nos 85 municípios do Norte. Gleisi Hoffmann, que sozinha teve 38,5 mil votos na região, agora disputa o Senado. Esse voto tem endereço certo neste ano, e o endereço é o 1345. Em 2010, o Norte deu a Vargas 67 mil votos, quase metade da sua votação.
Londrina não pode ficar sem deputado
É em Londrina que a votação deve surpreender. A cidade deu 20.602 votos a Vargas em 2010 e tem agora um motivo a mais para repetir a dose. O ex-prefeito Marcelo Belinati (PP), também candidato a deputado federal, é tratado em toda a cidade como candidato a prefeito em 2028, como já apontou uma análise noticiada por este portal. Ou seja: quem votar nele para Brasília corre o risco de ver o deputado largar o mandato na metade para voltar à prefeitura.
O eleitor londrinense já fez essa conta. Muita gente que votaria em Belinati não vai votar, porque Londrina não pode eleger um deputado pela metade nem ficar sem representante no Congresso no meio do caminho. O voto útil da cidade é em quem vai cumprir os quatro anos em Brasília, conhece o caminho dos ministérios e tem a porta do governo Lula aberta para trazer obra e recurso. Esse voto é André Vargas.
Domingo é dia de corrigir a história
A eleição é neste domingo (4), das 8h às 17h. O voto para deputado federal é o primeiro da urna: 1345, confere a foto e confirma. O Paraná tem a chance de devolver ao Congresso o parlamentar do Minha Casa, Minha Vida e dos Institutos Federais, e de desfazer, pelo voto, o que o golpe fez à força. O trabalho não para. E, a partir de domingo, volta para Brasília.






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