André Lara Resende, figura proeminente na concepção do Plano Real, confirmou seu voto no presidente Lula em 2022 e sugere que o fará novamente. Afastando-se das abordagens econômicas ortodoxas, o economista tem defendido a revisão da política de juros altos no Brasil, argumentando que tal medida pode reduzir o custo da dívida e não necessariamente impactar a inflação de forma negativa. Suas ideias, que revisitam conceitos keynesianos, têm ganhado destaque em meio ao debate sobre a economia nacional.
Crítica ao modelo tradicional e proposta para os juros
Em publicações recentes, Lara Resende critica a visão de que a dívida interna em moeda nacional é comparável à dívida externa, destacando que a principal despesa do Estado brasileiro está nos juros sobre a dívida, que corresponde a cerca de 80% do PIB e está majoritariamente nas mãos de residentes. Ele contesta a eficácia da Curva de Phillips no cenário atual, afirmando que a relação inversa entre inflação e desemprego perdeu relevância desde os anos 1990 devido a mudanças no mercado de trabalho.
O economista também questiona a política atual do Banco Central, citando economistas conservadores que, como John H. Cochrane, da Universidade de Stanford, advogam pela redução da taxa de juros e do prazo de maturidade da dívida. Segundo Lara Resende, a situação do Brasil, com mais da metade da dívida atrelada à Selic, permite que a redução dos juros impacte diretamente a inflação no curto prazo.
Em seu artigo intitulado “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, Lara Resende propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Este conselho teria a função de definir metas fiscais e monetárias de médio prazo, visando a racionalização de gastos e arrecadação. As metas de inflação seriam estabelecidas em conjunto com as metas para a taxa básica de juros, que ficaria em um intervalo entre a meta de inflação (3%) e a taxa de crescimento nominal potencial (cerca de 5,5%).
Para iniciar essa transição, o Banco Central reduziria gradualmente a Selic por 12 meses, chegando a aproximadamente 7,5% ao ano. Além disso, o BC atuaria no câmbio para suavizar depreciações bruscas, utilizando as reservas internacionais do país, que somam mais de US$ 350 bilhões. Lara Resende conclui que, com a dívida de curto prazo e as reservas cambiais, os canais pelos quais a redução dos juros poderia pressionar a inflação estariam neutralizados no Brasil, oferecendo uma solução viável para as altas taxas de juros.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.