Riad, 18 set (Xinhua) — A escalada das tensões em todo o Oriente Médio pesa cada vez mais sobre a Arábia Saudita, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo.

Enquanto o conflito em andamento entre os EUA e o Irã continua atrapalhando a navegação pelo Estreito de Ormuz, as hostilidades crescentes entre o grupo Houthi do Iêmen e a Arábia Saudita também ameaçam as rotas de exportação de petróleo de Riad através do Mar Vermelho, exercendo uma pressão crescente sobre o setor petrolífero saudita.

ROTA LESTE: TRÁFEGO PELO ESTREITO DE ORMUZ CONTINUA REDUZIDO

Assim como outros grandes países exportadores de petróleo da região, a Arábia Saudita tradicionalmente embarca seu petróleo bruto a partir de portos orientais no Golfo e, em seguida, pelo Estreito de Ormuz, para os mercados internacionais.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), uma média de cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados passou pelo Estreito de Ormuz em 2025, representando aproximadamente um quarto do comércio global de petróleo por via marítima.

Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã em fevereiro, o Irã restringiu efetivamente o tráfego pelo estreito. A rota vital permanece longe de voltar à normalidade.

Dados recentes da empresa de análise marítima Kpler destacam que apenas um pequeno número de navios que transportam commodities passa pela via navegável diariamente, com uma ausência total de superpetroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito em vários dias.

Para mitigar o impacto das perturbações no Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita começou a explorar rotas de exportação alternativas, incluindo o Oleoduto Leste-Oeste, que transporta petróleo para o Porto de Yanbu, na costa do Mar Vermelho, no oeste da Arábia Saudita, para embarque através do Mar Vermelho.

Um navio-tanque que transporta derivados de petróleo navega pelo Mar Vermelho, próximo à entrada do Canal de Suez, na província de Suez, Egito, em 11 de março de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

ROTA OESTE: UMA “VÁLVULA DE SEGURANÇA” VIRA UM PONTO DE RISCO

No entanto, a rota oeste alternativa da Arábia Saudita para a exportação de petróleo também passou a enfrentar restrições crescentes à medida que o conflito entre a Arábia Saudita e o movimento Houthi do Iêmen se intensificava.

Acusando a Arábia Saudita de violar áreas sob seu controle no Iêmen, os Houthis anunciaram, em 20 de julho, a proibição da navegação de embarcações sauditas pelo Estreito de Bab al-Mandab. Posteriormente, o grupo alegou ter realizado ataques contra navios sauditas que passavam pelo estreito.

Com a intensificação do conflito entre as duas partes, os Houthis começaram a lançar ataques contra alvos dentro da Arábia Saudita, incluindo instalações petrolíferas.

O Ministério de Energia da Arábia Saudita informou, em 11 de setembro, que o oleoduto Leste-Oeste sofreu múltiplos ataques nas regiões de Riad e Medina, deixando pessoas feridas. O oleoduto foi então fechado por precaução.

Analistas observaram que o oleoduto, que antes servia como uma “válvula de segurança” estratégica para a Arábia Saudita, tornou-se um ponto vulnerável na cadeia de suprimento de petróleo.

Até 16 de setembro, as autoridades sauditas não haviam anunciado um cronograma oficial para a retomada da operação do oleoduto.

Autoridades dos EUA sugeriram que o fluxo poderia ser retomado em “dias”, enquanto a agência de notícias britânica Reuters relatou que os reparos completos poderiam levar de cinco a seis semanas. O banco Goldman Sachs disse que as estimativas do mercado para o período de reparo variavam de uma recuperação relativamente rápida até um prazo de cerca de oito semanas.

O impacto mais significativo desses ataques foi o efeito sobre a confiança nos mercados globais de petróleo. Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics, disse que novos ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita poderiam alterar a avaliação dos investidores sobre a gravidade e a duração do conflito.

Foto fornecida pelo Centro de Mídia Houthi mostra o lançamento de um míssil supostamente em direção a Mocha, no Iêmen, em 9 de agosto de 2026. (Centro de Mídia Houthi/Divulgação via Xinhua)

REPERCUSSÕES DURADOURAS

A pressão sobre as duas principais rotas de exportação de petróleo bruto da Arábia Saudita já começou a afetar o comércio físico de petróleo.

Ao mesmo tempo, o “colchão” de estoques que ajudou o mercado global de petróleo bruto a absorver choques de oferta está sendo corroído, fazendo com que a atenção do mercado se volte para o momento em que toda a cadeia de suprimentos, desde campos de petróleo e oleodutos até instalações de armazenamento, portos e rotas marítimas internacionais, poderá retornar à estabilidade.

Dados da AIE mostraram que os estoques globais de petróleo monitorados caíram mais 95 milhões de barris em agosto. Desde o final de fevereiro, os estoques registraram uma redução acumulada de 507 milhões de barris, o que equivale a uma redução média de cerca de 2,8 milhões de barris por dia.

Adam Ritchie, economista-chefe da Shell Trading, disse em Oslo, na quarta-feira, que, desde a escalada do conflito no Oriente Médio, o mercado global perdeu cerca de 1,6 bilhão de barris de petróleo bruto e condensados, assim como aproximadamente 36 milhões de toneladas métricas de suprimentos de gás natural liquefeito.

O aumento dos custos de transporte agrava a situação.

Paul Bradshaw, diretor da Companhia Nacional de Petróleo dos Emirados, disse que os custos de seguro de carga para alguns navios que transitam pelo Estreito de Ormuz subiram para 5% a 6% do valor da carga, enquanto os prêmios adicionais por risco de guerra podem chegar a 10%.

Anders Opedal, diretor-executivo da empresa norueguesa de energia Equinor, disse que, se o fornecimento do Oriente Médio permanecer interrompido por um período prolongado, condições mais restritas nos mercados de energia e forte volatilidade de preços poderão persistir por mais tempo.

Fonte: Agência Xinhua — https://portuguese.news.cn/20260920/4a37a1d32370456582f4ff7cf0fcd23e/c.html