A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, acusou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de tentar calá-la. A reação da parlamentar ocorreu após a Justiça Eleitoral de Minas Gerais determinar a abertura de uma investigação sobre publicações que ela fez nas redes sociais, relacionadas a Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida.

A decisão judicial atendeu a uma notícia-crime apresentada pela defesa do senador, que questionou postagens de Ana Elisa. Nessas publicações, a deputada eleita associava apoiadores de Flávio Bolsonaro a uma suposta tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Em uma publicação no Instagram na quarta-feira (14), Ana Elisa reagiu à investigação, questionando o motivo pelo qual o candidato estaria tentando impedir suas manifestações durante a campanha eleitoral. “Veja esta publicação, antes que o Flávio Bolsonaro recorra à Justiça para que eu tire do ar. Por que tanto medo, Flávio?”, escreveu. Ela também mencionou sua idade, os votos recebidos e seus seguidores, perguntando: “Por que o candidato à Presidência da República tem tanto medo do que tenho a dizer?”.

Por meio de sua assessoria, a deputada eleita afirmou não ter tido acesso aos documentos da investigação, que tramita sob sigilo. Ela declarou que “não é a primeira tentativa do Flávio de me calar” e que se pronunciará quando tiver acesso ao inquérito.

Detalhes da investigação e da polêmica

A investigação foi determinada pelo juiz eleitoral Orlando Israel de Souza, da 103ª Zona Eleitoral de Divinópolis (MG), com o aval do Ministério Público Eleitoral. O MP considerou necessária a coleta de mais elementos para esclarecer os fatos. A apuração será conduzida pela Polícia Federal e deverá analisar publicações de Ana Elisa feitas entre 24 de setembro e 8 de outubro de 2026.

A polêmica teve início com publicações de Ana Elisa no X (antigo Twitter) sobre uma intenção de retirar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que as postagens divulgam informações falsas, o que poderia configurar infração ao artigo 323 do Código Eleitoral. O episódio remonta a um projeto de lei antigo, já arquivado, que previa alterações relacionadas ao reconhecimento da padroeira. Flávio Bolsonaro nega defender a retirada do reconhecimento religioso e afirma que as publicações lhe atribuem uma posição que não condiz com suas propostas.

Apesar de autorizar a investigação, a Justiça Eleitoral não proibiu Ana Elisa de fazer novas publicações ou impôs restrições amplas às suas manifestações. O Ministério Público Eleitoral considerou que uma proibição genérica seria excessivamente abrangente. A decisão judicial determinou que a plataforma X preserve as publicações que motivaram a notícia-crime para análise durante a investigação. A abertura do inquérito não representa uma condenação, nem significa que a prática de crime eleitoral tenha sido comprovada.

Ana Elisa Santos Silva ganhou projeção nas eleições de 2026, sendo eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.219 votos. Aos 21 anos, tornou-se a deputada federal mais jovem eleita no país. Com forte presença nas redes sociais, onde reúne milhões de seguidores, ela participou da mobilização digital em apoio à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).