Em setembro de 2026, Londrina vivenciou o maior volume de chuvas dos últimos 29 anos, com um índice pluviométrico de 255 milímetros. Esse valor superou em 150% a média histórica de 102 milímetros para o período, comprometendo a execução de diversos serviços municipais na cidade.

O aumento das precipitações e as fortes rajadas de vento são atribuídos ao fenômeno climático El Niño, que provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Esse aquecimento resulta em mais calor e umidade na atmosfera, intensificando a passagem de frentes frias pelo estado do Paraná, o que gera grandes volumes de chuva.

Impacto nas ocorrências e serviços públicos

Os dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmam um aumento significativo nas ocorrências registradas pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec). Entre agosto e o início de outubro, foram 368 atendimentos, um crescimento de 525% em relação aos 70 registros do mesmo período no ano anterior. Dentre as ocorrências, destacam-se 150 destelhamentos por vendaval e 214 quedas de árvores.

Desde o início de 2026, a Prefeitura de Londrina mantém um grupo multissetorial focado no planejamento de ações para mitigar os impactos do El Niño até 2027. O objetivo é diagnosticar áreas de risco e implementar medidas corretivas para minimizar os efeitos dos eventos climáticos extremos. A intensidade das chuvas tem dificultado a realização de serviços como recuperação de estradas rurais, recapeamento asfáltico e outras obras de infraestrutura.

Desafios na manutenção e novas obras

O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Jamil Janene, relatou que as equipes não conseguem manter o ritmo de trabalho devido às chuvas contínuas. Ele destacou que, se a chuva retorna após o início da manutenção, o trabalho é interrompido. O secretário municipal de Obras e Pavimentação, Fábio Alves de Oliveira, mencionou que as condições climáticas impedem a aplicação de asfalto e a secagem de concretagem, gerando atrasos nos cronogramas e aumento de custos, que podem ser repassados às empresas contratadas.

A infiltração de água nas bases asfálticas, combinada com o tráfego intenso, contribui para o rápido aumento do tamanho de buracos. Conforme Oliveira, uma pequena abertura pode se expandir consideravelmente em um único dia. Equipes de limpeza, varrição e roçagem da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) continuam trabalhando, exceto em tempestades intensas, para garantir o funcionamento das galerias pluviais e prevenir alagamentos.

Entre as obras em andamento para prevenção, destaca-se a construção do novo sistema de drenagem do Córrego Água Fresca, no Jardim Los Angeles. Outra intervenção prevista é a construção de um muro de gabião na Rodovia Carlos João Strass com a BR-369 para conter desmoronamentos de terra e reparar galerias pluviais.

O Simepar alerta que o El Niño deve se intensificar até novembro e permanecer ativo até, no mínimo, março de 2027. A previsão para o Paraná é de aumento no volume de chuvas e temperaturas até 3,3°C acima da média entre novembro e janeiro, caracterizando este como um dos eventos mais fortes já registrados. O meteorologista Lizandro Jacóbsen reforçou que a região sul do Brasil, especialmente o norte do Paraná, deve continuar a ter volumes excessivos de chuva e maior frequência de tempestades, com risco de ventos fortes e granizo.

A Defesa Civil do Estado e a população devem continuar monitorando os alertas meteorológicos, pois o risco de deslizamentos e transbordamento de rios permanece elevado nos próximos meses. A colaboração da população é fundamental para evitar o descarte incorreto de lixo, que causa 95% dos entupimentos de bueiros e galerias pluviais, segundo o secretário de Obras e Pavimentação.