As ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à América Latina, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta semana, reforçaram a defesa de maior articulação entre os países do Sul Global, afirmou o professor Fabrício Pereira da Silva, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Ele falou sobre o tema um dia depois das falas de Trump e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ONU. Para o pesquisador, a declaração do norte-americano, de que os EUA poderiam usar “poderio militar incomparável” na região, amplia a sensação de urgência para que países da América Latina, África e Ásia se aproximem mais em diferentes áreas.
Seminário no Rio reúne representantes de 54 países
Fabrício Pereira da Silva coordena a Rede Intelectual Sul-Sul (Risur), que promove um seminário nos dias 24, 25 e 26 de novembro, na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. O encontro terá palestrantes de 54 países e 120 participantes de forma presencial.
Segundo ele, a proposta é criar pontes entre acadêmicos, movimentos sociais, estudantes e outros setores da sociedade civil, para ampliar o conhecimento mútuo e fortalecer alianças entre países do Sul Global. A próxima edição do encontro está prevista para Puebla, no México, em 2027, e há previsão de realização em Tânger, no Marrocos, em 2028.
Professor defende mais circulação de ideias e autores do Sul
Na entrevista, o professor defendeu que universidades e centros de pesquisa deem mais espaço a autores da América Latina e de outras regiões do Sul Global. Para ele, a produção científica do Norte ainda tem mais visibilidade, circulação e prestígio, enquanto o conhecimento produzido no Sul costuma ser menos valorizado.
Ele também afirmou que há uma “herança colonial” que segue influenciando as desigualdades no mundo e disse que a região vive uma disputa por hegemonia e tentativas de recolonização, especialmente contra a América Latina e o Caribe.
O pesquisador destacou ainda que o Sul Global reúne a maior população e o maior território do planeta, incluindo países da América Latina, Caribe, África e Ásia, entre eles China e Índia. Para ele, ampliar os encontros e o intercâmbio entre esses países é essencial para fortalecer o bloco, inclusive o BRICS ampliado.






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