Em entrevista, o jurista e filósofo Alysson Leandro Mascaro discutiu a situação política brasileira e a persistência da extrema-direita. Ele argumentou que o discurso nacionalista de direita serve para disfarçar a subordinação do Brasil a potências estrangeiras, afirmando que aqueles que se dizem patriotas, na prática, 'vendem o país'. Mascaro analisou que a longevidade da extrema-direita e o equilíbrio eleitoral não se explicam apenas por fatores econômicos, mas por um 'afeto de ressentimento' gerado pela crise do capitalismo neoliberal.
Ressentimento e "Patriotismo de Fancaria"
Mascaro explicou que a estagnação econômica ocidental impede o avanço de certas classes médias, gerando um sentimento de insatisfação e a percepção de que o mundo está errado. Nesse cenário, o avanço social dos mais pobres, como acesso a viagens ou educação superior, é interpretado por uma classe média em declínio como perda de status, e não como progresso coletivo. O filósofo criticou o que chamou de 'patriotismo de fancaria', exemplificado por aqueles que, ao mesmo tempo em que ostentam símbolos nacionais, promovem o desmonte da soberania do país, como tentativas de privatização de empresas estratégicas e o enfraquecimento de projetos industriais nacionais.
Ele enfatizou a contradição entre o discurso ufanista e as ações que entregam o país a interesses externos, classificando esse comportamento como um "autoengano" para compensar a incapacidade de desenvolver um projeto nacional soberano. Mascaro mencionou a tentativa de venda da Embraer e a estagnação de projetos tecnológicos nacionais como exemplos dessa contradição.
Judiciário e o Papel da Esquerda
O jurista também abordou a relação de setores progressistas com o Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, a crise de legitimidade da Suprema Corte é antiga, não se limitando aos embates recentes, mas remontando a eventos como o Mensalão, a Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff.
Mascaro, alinhado a uma leitura materialista, argumentou que o Judiciário, sendo um braço do Estado e, por sua vez, uma forma do capital, não pode ser inerentemente emancipador. Ele alertou que a esquerda cometeu um erro ao se limitar à defesa das instituições existentes, perdendo a capacidade de contestar a ordem que perpetua a desigualdade. Ao invés de promover o convencimento e a luta social, a esquerda se resignou a delegar a responsabilidade à Justiça. Essa postura, segundo ele, faz com que a direita seja vista como "antissistema", enquanto a esquerda aparece como defensora do status quo.
Caminhos para Superar a Paralisia
Para Mascaro, a solução não reside em buscar um "centro desidratado" que combine corte de direitos sociais e moralismo. Ele propôs "dobrar a aposta" tanto na economia popular quanto na disputa ética. Ao discutir segurança pública, criticou a abordagem liberal, que, ao pedir que a polícia não reprima os mais pobres de forma abstrata, afasta a corporação e a faz crer que a esquerda "defende bandido".
Mascaro defendeu uma abordagem que exponha a covardia de agredir os mais vulneráveis, contrastando-a com a verdadeira coragem de enfrentar os "donos do poder": banqueiros, latifundiários, sonegadores e o imperialismo. Para ele, o verdadeiro heroísmo está em confrontar aqueles que oprimem o povo brasileiro.






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