Uma nova articulação nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) reúne ministros aliados a Alexandre de Moraes para tentar impedir Kassio Nunes Marques de votar em processos que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A estratégia inclui a possibilidade de levar ao plenário da Corte um pedido de suspeição contra o magistrado, conforme apurou a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo.
O grupo próximo a Moraes começou a enviar recados nos bastidores, indicando que, se Nunes Marques insistir em participar das votações, ele e o próprio STF poderão enfrentar novos constrangimentos. A ofensiva mira tanto as ações sobre as relações atribuídas a Moraes com Vorcaro quanto a representação apresentada por Moraes contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade.
Dados sobre filho de Nunes Marques seriam usados
A estratégia descrita pela reportagem envolve a exposição de informações ligadas a Nunes Marques e a seu filho, o advogado Kevin Marques, que teriam relações com Daniel Vorcaro. Esses dados seriam usados para questionar a imparcialidade do ministro nos julgamentos. Na semana passada, Nunes Marques declarou-se impedido de votar na sessão que analisaria a abertura de investigação sobre Moraes, citando o risco de repercussão eleitoral, já que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Interlocutores de Nunes Marques afirmam que a restrição vale apenas para causas relacionadas ao Banco Master que possam impactar a disputa eleitoral. Após o segundo turno, marcado para 25 de outubro, ele pretende avaliar cada processo individualmente e voltar a votar quando considerar que não há impedimento. Essa possibilidade motivou a nova movimentação entre os aliados de Moraes, que veem o afastamento de Nunes Marques como essencial para evitar derrotas no plenário.
Mensagens do celular de Vorcaro aumentam pressão
Nunes Marques passou a enfrentar maior pressão depois da divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro. Em uma conversa de julho de 2025, Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, trocam mensagens sobre Kevin Marques. Rennó encaminha o contato do advogado e pergunta: “esse aqui _ 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk”. Vorcaro respondeu com risadas. A mensagem, porém, não esclarece o valor nem comprova que Kevin tenha recebido pagamento. O material também traz referências a supostos pagamentos a prostitutas.
Em meio ao embate, um ministro da Corte teria afirmado que a intenção do grupo seria “deixar o ministro nu em praça pública”. Kevin Marques nega ter prestado serviços ao Banco Master ou recebido dinheiro de Vorcaro. A assessoria do advogado disse que ele “não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro”. Nunes Marques também rejeitou favorecimento ao banco e negou que o filho tenha recebido valores. Ele declarou que “nunca votou a favor do Banco Master, e que o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro”.
Na sessão do dia 15, Nunes Marques declarou impedimento no início da análise e deixou o local para evitar provocações. A decisão não representa afastamento permanente: após as eleições, ele pretende analisar sua participação caso a caso e continua atuando na Segunda Turma, onde tem formado maioria ao lado de André Mendonça e Luiz Fux. Dias Toffoli declarou-se suspeito para todas as causas envolvendo o Banco Master.
Paralelamente, o confronto entre Moraes e Mendonça amplia a tensão. A sessão que julgaria a investigação contra Moraes foi suspensa após pedido de vista de Flávio Dino, que defendia a análise conjunta com a representação de Moraes contra Mendonça. O STF, no entanto, já tinha maioria para manter os procedimentos separados. O julgamento envolvendo Mendonça foi retirado da pauta pelo presidente Edson Fachin. Na segunda-feira (21), Mendonça apontou ilegalidades na representação e pediu arquivamento sumário. Fachin deve retomar os temas somente após as eleições.






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