A abordagem do candidato Flávio Bolsonaro (PL) às alegações de que ele teria defendido a cassação do título de Nossa Senhora Aparecida como “padroeira do Brasil” está causando descontentamento e preocupação entre seus próprios apoiadores. Segundo fontes próximas, a campanha agiu de maneira pouco coordenada, criando novos focos de atrito ao tentar controlar a situação, e não conseguiu conter o desgaste a poucos dias do primeiro turno das eleições.

Um dos pontos mais criticados por interlocutores foi a acusação direta feita por Flávio de que indivíduos ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam auxiliado na propagação da informação. Tal declaração provocou uma resposta imediata da entidade, transformando o que era uma crise sobre uma notícia falsa em um confronto com uma parte da Igreja Católica. A polêmica ganhou força nas redes sociais, impulsionada por um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase duas décadas que visava retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.

Repercussão Jurídica e Mudança de Estratégia

A ofensiva jurídica da campanha levou a controvérsia ao Supremo Tribunal Federal (STF). Inicialmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu o pedido do candidato para remover publicações associando-o ao caso, derrubando 1.170 links. No entanto, uma decisão posterior do ministro Flávio Dino no STF suspendeu os efeitos dessa medida sobre algumas publicações, levando a uma disputa judicial entre as cortes. Paralelamente, a campanha mobilizou religiosos em transmissões ao vivo para rebater as acusações, mas as declarações de Flávio em um evento em Goiânia, acusando a CNBB, agravaram a situação. A CNBB, por sua vez, emitiu uma nota negando qualquer participação na disseminação de informações falsas e exigindo provas das acusações, o que Flávio não pretende oferecer.

Em um movimento para conter os danos, Flávio Bolsonaro adotou um tom mais conciliador em São Paulo, evitando reiterar as acusações e agradecendo a manifestação da CNBB, apresentando-a como uma confirmação de que a instituição não participou do boato. A nova orientação é evitar mais confrontos e enfatizar que o candidato nunca se posicionou contra Nossa Senhora Aparecida. A campanha também buscou reforçar a interlocução com o eleitorado católico, participando de programas voltados a esse público, embora aliados considerem a estratégia insuficiente para reverter o desgaste.

Impacto no Eleitorado Católico e Decisão sobre o Debate

A preocupação com o eleitorado católico se intensifica após uma pesquisa Quaest mostrar o presidente Lula (PT) ampliando sua vantagem nesse segmento, passando de 43% para 48% das intenções de voto, enquanto Flávio oscilou de 27% para 29%. Com mais de 100 milhões de católicos no Brasil, a equipe de Flávio teme que a crise interrompa uma sequência de semanas em que a campanha acreditava ter colocado Lula na defensiva. A repercussão do caso também influenciou a decisão de Flávio de participar do debate da TV Globo, mesmo que Lula não compareça, visando ter a oportunidade de responder diretamente às provocações dos adversários sobre o tema.