A Advocacia-Geral da União (AGU) está finalizando um estudo a ser apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que detalha os impactos econômicos, sociais e sanitários das apostas online no Brasil. O objetivo é reforçar a posição do governo federal pela manutenção da proibição dos jogos de apostas que está em discussão na Corte.

Entre os dados coletados para o documento, solicitado pelo ministro Luiz Fux, destaca-se uma projeção de que as apostas podem ter gerado uma redução na atividade econômica brasileira entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões no ano de 2025. Esse montante corresponde a aproximadamente 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país para o mesmo período.

Impacto econômico e social das apostas

A estimativa do impacto econômico não representa uma perda direta para os apostadores, mas sim o efeito mais abrangente da transferência de recursos para as plataformas de apostas e a consequente diminuição do consumo em outros setores da economia. O cálculo utiliza a perda líquida das famílias e um multiplicador para estimar a repercussão da redução de recursos disponíveis no consumo geral.

Outro dado relevante é a estimativa de que as famílias brasileiras teriam perdido R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025, considerando a diferença entre o que foi investido e os prêmios recebidos. A AGU argumentará que os efeitos das apostas vão além das perdas individuais, afetando o consumo familiar e outros segmentos da economia. A inadimplência associada às apostas teria retirado cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista.

Saúde mental e o custo para o SUS

O documento da AGU também abordará o impacto na saúde mental. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que mais de 28 milhões de brasileiros apostaram nos 12 meses anteriores ao estudo, com quase 11 milhões (39%) apresentando padrão de risco ou uso problemático. A pesquisa relaciona as apostas a problemas como dependência, ansiedade, depressão, transtorno do jogo e ideação suicida.

Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um aumento de 140% nos atendimentos relacionados ao jogo patológico entre 2018 e 2025. A AGU enfatizará que os custos desses tratamentos recaem sobre o sistema público de saúde, enquanto os lucros das apostas permanecem com as plataformas privadas.

Os levantamentos indicam que pessoas de baixa renda têm um risco três vezes maior de desenvolver problemas com apostas. Jovens e adolescentes também são um grupo vulnerável, apesar da proibição de apostas para menores de 18 anos. Dados do Ministério da Saúde revelam que um em cada cinco estudantes já fez apostas online, e mais da metade deles estaria em situação de risco ou com uso problemático.