O agronegócio brasileiro atingiu a marca de 28,4 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2026, um crescimento de 0,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado é o maior já registrado para o período desde o início da série histórica em 2012, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os trabalhadores do setor corresponderam a 26% da população ocupada do país entre abril e junho.

A porcentagem se manteve praticamente estável em comparação com o segundo trimestre de 2025, mas foi um pouco menor que os 26,3% observados nos três primeiros meses de 2026. O aumento do emprego no agronegócio ocorreu em um contexto de expansão do mercado de trabalho brasileiro. A taxa nacional de desocupação foi de 5,4% no segundo trimestre deste ano, o menor índice para o período desde o começo da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

Segmentos e tipos de ocupação

Entre os segmentos do agronegócio, as atividades agropecuárias, que fazem parte do setor primário, apresentaram o maior avanço, com um aumento de 2,7% na população ocupada em relação ao segundo trimestre de 2025. Os agrosserviços também viram o número de trabalhadores crescer, com alta de 1,1%. Por outro lado, o segmento de insumos agropecuários registrou uma queda de 6,5% na ocupação, e a agroindústria teve uma redução de 2,4%.

A análise por posição na ocupação revelou um crescimento de 2,4% no número de trabalhadores por conta própria e de 3,5% entre os empregadores, na comparação anual. O contingente de empregados com carteira assinada aumentou 0,5%, enquanto o de trabalhadores familiares auxiliares cresceu 1,2%. Contudo, o número de empregados sem carteira assinada diminuiu 1,7%. Apesar dessa queda, os trabalhadores com carteira assinada continuam sendo o maior grupo no agronegócio, somando aproximadamente 9,88 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 34,8% do total de ocupados no setor.

Escolaridade e participação feminina

O estudo também indicou uma continuidade no aumento da escolaridade entre os trabalhadores do agronegócio. Em relação à divisão por gênero, o número de homens ocupados no setor cresceu 0,6% entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Entre as mulheres, o aumento foi de 0,7%, mostrando uma contribuição ligeiramente maior das trabalhadoras para o crescimento da população ocupada no agronegócio, segundo os pesquisadores do Cepea e da CNA.