Em meio a um cenário político focado nas próximas eleições, a discussão sobre o futuro de longo prazo do Brasil ganha destaque. A proposta de um 'Conselho para o Futuro', inspirada pelo documento 'Escrever o Futuro', levanta questionamentos sobre a priorização do imediatismo em detrimento de um planejamento estratégico para as próximas décadas. Essa iniciativa busca combater a 'tirania do agora', onde a reflexão além do próximo mês parece um luxo.

A visão de Byung-Chul Han, que descreve uma época sem duração, onde os dias se fragmentam em estímulos, ressoa com a percepção de que a ausência de decisões de longo alcance pode gerar consequências severas, como a formação de adultos despreparados devido a um sistema educacional deficiente. A urgência de olhar para o amanhã é enfatizada pela necessidade de construir um futuro mais promissor para as novas gerações.

A Inspiração do 'Escrever o Futuro'

A iniciativa 'Escrever o Futuro' teve a inspiração de Shapoor Monadjem, que em meados dos anos 1950, no Irã, já pensava em um mundo possível e em como a ordem mundial era 'lamentavelmente defeituosa'. Monadjem, que se mudou para o Brasil e dedicou a vida a causas altruístas, foi um dos idealizadores dessa proposta que visa inverter a lógica do debate político, colocando a finalidade antes dos instrumentos e o que se deseja construir antes de quem governa.

O 'Conselho para o Futuro' seria composto por cem brasileiros, selecionados entre mil convidados e aprovados em plebiscito, que ficariam dez anos afastados de cargos eleitorais. Em um período de doze meses, eles teriam a missão de elaborar uma visão de país e um conjunto de reformas integradas, com o objetivo de guiar o Brasil por um caminho de desenvolvimento sustentável e justiça social, pensando além dos ciclos eleitorais de quatro anos.

O Significado da Escolha

A palavra 'eleger', do latim 'eligere', significa escolher, separar, colocar à frente. Nesse sentido, a vida individual e coletiva é moldada pelas escolhas e prioridades. A reflexão sobre o futuro exige que os líderes políticos e a sociedade em geral distingam o essencial do meramente importante, a agenda do dia da agenda do século, que 'fala baixo e espera ser ouvida'.

A proposta do Conselho do Futuro convida os candidatos a um compromisso que transcende o próprio mandato, lembrando a origem da palavra 'candidato', do latim 'candidatus', que remete à pureza e sinceridade. A questão central é se a toga do candidato resiste a um compromisso de longo prazo, e se a sociedade está disposta a dedicar tempo para o país que seus netos herdarão. O relógio do mandato marca quatro anos, mas o relógio da nação marca gerações, e a decisão de qual deles prevalecerá cabe a todos.